20.11.2009

Três Sonhos

Categorias: Sonhos

Saturno

Eu e meu primo Vicente vadiávamos pelo bairro encenando filmes de fantasia. Tínhamos determinadas construções e pontos do bairro que eram sets preferenciais e ali quedávamos desenvolvendo nossas tramas. Assim cumpríamos o trajeto pelos lugares mágicos da vizinhança.

Depois, quando o filme terminava, após muitas batalhas e viagens no tempo (éramos vidrados em viagens no tempo), em geral deixando o final aberto para uma série de continuações, nosso trajeto nos levava sempre ao bar da esquina, onde nossos pais eram fiéis fregueses e podíamos pendurar a conta.

Bebíamos coca-cola e distribuíamos oscars um ao outro de acordo com nossa performance. Premiávamos o melhor ator, o mais criativo (diretor), o que melhor fazia os ruídos e gestos e pirações verbais (efeitos especiais).

Certa vez, num dia muito especial, Vicente apontou-me no horizonte uma pirâmide. Eu vi. Era enorme. Uma pirâmide em estilo Asteca, imponente em meio a cidade. Caminhamos em sua direção.

Entramos em um lote vago, atravessamos umas mamonas, uns entulhos, e nos aproximamos dela. Era tão enorme, tão enorme que dava medo só de estar perto dela, como aquelas torres que são tão altas que dão a impressão de dobrarem-se no céu, caindo pra cima de nós, era tão grande que era difícil fixar o olhar sobre ela, senti que seria esmagado.

“Vamos embora”, disse eu.

Vicente observava, curioso. “Ela não estava aqui ontem!”

“É Saturno”, comentei, “Saturno é o nome”.

Anotado Sexta, 12 de Novembro de 2004.

Sonho do herói e do poeta

Um tribunal da inquisição foi montado e Samuel Taylor Coleridge foi declarado culpado e morto com uma flechada.

Vi um grande edifício de estilo greco-egípcio que era uma universidade, e as portas se abriram e saíram os estudantes, todos bem alinhados, os rapazes de terno, as moças de vestido. Joviais, riam alto e falavam fácil.

Então um exército de cruzados medievais, soldados de Cristo com armaduras azuis, capas vermelhas, espadas e escudos e elmos, avançaram sobre os jovens, atacando-os. Fez-se o caos, todos corriam de um lado para o outro, a noite caiu, a lua surgiu tingida de sangue, era um massacre.

Ninguém me notava.

Então, ouço o motor. Vejo chegar um guerreiro numa motocicleta, lutando bravamente ao lado dos estudantes.

Quinta, 25 de Janeiro, 2005.

Transmissão (Sonho da Mandioca)

Toco a campainha e aguardo junto ao muro de ardósia. Daí a pouco o portão se abre, minha avó convida-me a entrar. Estou a tanto tempo longe de casa! Sigo-a até a sala e sentamo-nos num dos extremos da mesa de jantar. Pouso as mãos sobre a madeira escura da mesa, miro por um instante os retratos dela e de meu avô logo quando se casaram, aqueles retratos antigos que os pintores retocavam, emoldurados em formato oval, pendurados na parede ao fundo.

Enquanto conversamos (lembro de tudo mas não das palavras) a empregada traz um prato com pedaços de mandioca frita. Familiares meus entram e saem da sala, como vultos, espectros. Eu e vó continuamos concentrados um no outro. Falamos sobre as coisas.

Com seus dedos grossos e enrugados, suas unhas crescidas esmaltadas em vermelho, minha avó toma pedaços de mandioca e os parte, ainda quentes soltam fumaça, e me dá de comer, levando à minha boca. Aceito. Mas então percebo que fios escuros, como os que escapam das blusas de lã ou como grossos pelos de urso ou finas palhas de aço, se enroscavam nos pedaços de mandioca, ou melhor, saíam de dentro deles, brotavam de dentro da mandioca, e minha avó, indiferente, levava os pedaços à minha boca enquanto discorria sobre a família e os valores cristãos, e desejo avisá-la pois me repugna por na boca a mandioca com cabelos, mas ela parece nem perceber, sinto um fio destes na língua, sinto gastura, não gosto de cabelo na língua, com os dedos em pinça tento tirá-lo, é metálico, minha avó já prepara mais um pedaço, que faço, que farei, que fiz? Acordei.

Anotado algum dia de 2004.

Menino de Arempebe

Categorias: Desenhos

Retratos Bahia

Categorias: Desenhos

Desenhos da Bahia, feitos em 2002. Com Pastel Oleoso.

Catu, Ilha de Itaparica. (As cores estranhas das pedras são obra de Iara Terra).

 

 Arembepe:

 

 

 

 

 

 

 

 

19.11.2009

O Mundo (do meu ponto de vista)

Categorias: Poesia, Crônicas

Do Estúdio Livre

Categorias: Tudo


Intervozes - Levante sua voz from Pedro Ekman on Vimeo.

 

Recebi:

 

Compas,
apresento o vídeo sobre direito à comunicação que tive o prazer de dirigir
produzido pelo *INTERVOZES Coletivo Brasil de Comunicação Social*.
http://www.direitoacomunicacao.org.br/content.php?option=com_content&task=view&id=5756

É um vídeo de 17 minutos que remonta a linguagem do *Ilha das Flores* de
Jorge Furtado ao narrar a situação da comunicação no Brasil.
Fizemos com pouca grana e muita militância para podermos apresentá-lo nas
etapas municipais e estaduais da Conferência Nacional de Comunicação que já
estão acontecendo.

Espero que gostem.
Pedro Ekman

 

Adentrismo poesia popular de hoje

Categorias: Poesia, Música, Adentrismo

Nóis Nasceu Pra Ser Patrão

É o Menor e o DJ Gá

Nóis nasceu pra ser patrão (2x)

Varios carros, varias moto,
No pescoço várias prata
De Whisky e Red Bull e
No baile funk só as gata.
É o Menor e o DJ Gá Mlk Top é nóis então,
Gasta mesmo sem miséria
Nóis nasceu pra ser patrão
Nóis nasceu pra ser patrão.

Menor e DJ Gá.

Piriguete (trecho)

Em Governador, lá em Salvador,
Rio de Janeiro, Santos e Belô
todo mundo já conhece, sabe o que acontece
quando vê a gente, ela se oferece
Mexe o seu corpo como se fosse uma mola
dedinho na boquinha, ela olha e rebola
chama atenção, vem na sedução, essa noite vai ser quente
eu vou dar pressão.

MC Papo.

Baile das Comunidade

quer curtir baile bom e funk de verdade?
no rio e janeiro é só nas comunidades
você não paga pra entrar, não paga pra sair
vai zoar e tirar onda e vai se divertir
os playboys da zona sul e as celebridades
também curtem baile funk de comunidade
mas se a chapa esquentar não fique assustado
é o DJ que tá tocando o pancadão bolado

MC Gil do Andaraí.

17.11.2009

Faun e Flo

Categorias: Desenhos

Adentrismo Mistérios Maranhenses

Categorias: Música, Adentrismo

Menina da Gameleira

ela é menina da gameleira
tira o leite, deixa correr
se chama Bela Infância
e cabe a quem sabe ler

Mamãe tá chorando

a mamãe tá chorando
porque eu vou me encantar
a mamãe é culpada
da mãe d’água me levar
ô não chora, não chora, mamãe
ô não chora, não chora, papai
a mãe d’água me leva
a mãe d’água me leva
a mãe d’água me traz

Cantigas da Festa do Baião de Princesas, da Casa Fanti-Ashanti do maranhão, gravada pelo grupo A Barca.

Reinações de narizinho

 

Uma vez, depois de dar comida aos peixinhos, Lúcia sentiu os olhos pesados de sono. Deitou-se na grama com a boneca no braço e ficou seguindo as nuvens que passeavam pelo céu, formando ora castelos, ora camelos. E já ia dormindo, embalada pelo mexerico das águas, quando sentiu cócegas no rosto. Arregalou os olhos: um peixinho vestido de gente estava de pé na ponta do seu nariz.

 

Monteiro Lobato, Reinações de Narizinho.

Ativismo: Povos do Xingu contra a construção de Belo Monte

Categorias: Crônicas


As questões indígenas são muitas e complexas e este é um blog de poesia. O vídeo está aqui principalmente pela fala das mulheres indígenas no final, sobre a importância do rio, sobre o futuro, as crianças. É lindo elas falando.

16.11.2009

Sonho da Infância

Categorias: Sonhos

Meus pais haviam saído e a babá dormia, roncando diante da televisão, quando a fada entrou espalhafatosamente pela janela. Quedou-se no chão do meu quarto, quieta, assustada, emitindo um tênue brilho dourado. Era linda com asas de borboleta, linda de saia curta, de boca linda, linda orelha, lindo olho e mãos e pulso. Desci da cama vacilante. Ela me deu a mão e um leve sorriso, e me levou, por uma porta estreita, a um quarto à meia luz que tinha fios por todos os lados, como uma enorme rede, uma teia. Ela moveu-se entre os fios e sentou-se no centro do quarto, eu segui e me sentei diante dela, e ela, com lentos gestos de ritual, abriu as pernas para mim, e tocou o próprio sexo com a mão.

Sítio: Adentrismo Astrológico

Categorias: Adentrismo

E como as pedras mais preciosas se encontram na zona tórrida, e o Brasil se situa quase no meio dela e próximo à linha equinocial, é de crer-se que receba influência do sol, gerador do ouro, que aí passa duas vezes pelo zênite. O que me leva a dar crédito ao que dizem os franceses e índios e outras testemunhas oculares, de por aí existirem muitas minas de ouro e pedras preciosas e muitos viveiros de pérolas. Ademais, achando-se o país no mesmo clima do Peru e em continuação terrestre deste, é provável que não haja no Peru riqueza alguma que se não encontre no Brasil, que se localiza apenas mais para o oriente, na mesma latitude de Cusco e nas vizinhanças do rio Amazonas, o maior e mais rico rio do mundo.

Claude D’Abbeville, História da Missão dos Padres Capuchinhos na Ilha do Maranhão, pp. 163.

Do diário de sonhos

Categorias: Sonhos

Terça, 19 de Agosto, 2008

Tive um momento de “perder o dente” esta noite. Caminhava pelas ruas com um amigo, cuidando de quaisquer que fossem os assuntos do sonho, quando meus dentes começaram se soltar. Comecei a cuspir molares, muitos, mais do que poderia caber em minha boca! Chegamos à casa de uma mulher, onde haveria uma festa e eu ia cantar com meu amigo. Pedi para ir ao banheiro antes que alguém me visse sem todos aqueles dentes. Trazia-os todos na mão direita. No banheiro, olhei-me no espelho: ainda haviam alguns dentes, meio soltos, dependurados na minha gengiva.

Terça, 02 de Agosto, 2005

Não me lembro de quase nada deste sonho, mais sei que meu pai estava nele e nós brigávamos, não sei porque. Eu estava nervoso, havia algo que eu não queria aceitar, ou ele. Lembro-me de sair de casa e ganhar as ruas falando sozinho, reclamando, explicando a mim mesmo o conflito. Então em algum momento sinto um incômodo metálico na boca, então tiro toda minha arcada dentária inferior. Era como se fosse uma dentadura, mas não era: eram meus dentes de verdade, mantidos juntos por um pedaço de arame. Eu os observei, limpei com um pano, soprei, e pus de volta. Depois tinha um cara tocando violão muito bem e eu me senti inferior e havia uma garota olhando ele tocar e senti inveja. Quando o cara terminou de tocar, largou o violão e eu rapidamente peguei e comecei a imitar os acordes, até que não estava ruim, mas sem dúvida não soava tão bem quanto a música que ele fazia.

Segunda, 28 de Fevereiro, 2005

Diante do espelho, tirei da minha boca um dente podre. Então comi um punhado de biscoitos água-e-sal, e vomitei no tapete. A massa vomitada começou a passar por umas transformações. Primeiro era como bolhas amarelas e azuis em algo parecido com mercúrio. Depois, eram minhocas, vermes enroscados uns nos outros, vermes pretos e marrons, e um especialmente vermelho. Eu estava sentado no sofá da sala e havia alguém do meu lado, eu lhe apontei as minhocas, e fiz notar especialmente a vermelha, tão parecida com uma crista de galo. Uma minhoca se separa do bando e vem se arrastando em minha direção, está perto da minha perna e eu me encolho temendo o contato. De repente, o verme cria pernas feito uma centopeia e então cria asas feito uma libélula e então sai voando.

14.11.2009

Zoo

Categorias: Desenhos

 

 

13.11.2009

Desenhos

Categorias: Desenhos

 

 


Krishna Lista

Categorias: Adentrismo

O Senhor Supremo disse: Sim, vou lhe contar sobre minhas esplendorosas manifestações, mas apenas aquelas que são proeminentes, Ó Arjuna, pois minha opulência é ilimitada.

Eu sou a alma, Ó Desperto, assentada no coração de todas as entidades vivas. Eu sou o princípio, o meio e o fim de de todos os seres.

Dos Adityas eu sou Vishnu; das luzes eu sou o sol radiante; eu sou Marici dos Maruts; entre as estrelas sou a lua.

Dos Vedas sou o Samaveda; dos semi-deuses eu sou Indra; dos sentidos eu sou a mente, e dos seres vivos eu sou a força vital.

De todos os Rudras eu sou o Senhor Shiva; dos Yaksas Raksasas eu sou Kuvera Senhor da Riqueza; dos Vasus eu sou Agni, o fogo, e das montanhas sou Meru.

Dos sacerdotes, Ó Arjuna, saiba que eu sou o chefe, Brhaspati, Senhor Devoto. Dos generais eu sou Skanda, Senhor Guerreiro; e das águas eu sou o oceano.

Dos grandes sábios eu sou Bhrgu; das vibrações eu sou o Om transcedental. Do sacrifício eu sou o cantar dos santos nomes, das coisas fixas sou os Himalaias.

De todas as árvores sou a figueira sagrada, entre os sábios e semi-deuses sou Narada. Dos Gandharvas, cantores divinos sou Citraratha, e entre os seres perfeitos sou o sábio Kapila.

Dos cavalos, saiba que sou Uccaihsrava, que emergiu do oceano, nascido do elixir da imortalidade; entre os Elefantes eu sou Airavata, entre os homens eu sou o monarca.

Das armas eu sou o arco; entre as vacas sou surabhi, doadoras do leite abundante. Dos procreadores sou Kandarpa, o amor, e das serpentes sou Vasuki, o chefe.

Das Serpentes Naga celestiais sou Ananta; das deidades aquáticas sou Varuna. Dos ancestrais que se foram sou Aryama, e entre os legisladores sou Yama, senhor da morte.

Entre os demônios Daitya eu sou o devoto Prahlada; entre os subjugadores eu sou o tempo ; entre as feras sou o leão, entre os pássaros sou Garuda, montaria de Vishnu.

Dos purificadores eu sou o vento, dos que empunham armas sou Rama; dos peixes sou o tubarão, e dos rios que correm sou o Ganges.

De todas as criações, eu sou o princípio e o fim e também o meio, Ó Arjuna. De todas as ciências sou a ciência espiritual do ser, e entre os lógicos sou a verdade conclusiva.

Das letras sou o A, e dos termos compostos sou o duplo-composto. Sou também o tempo inexaurível, e dos criadores sou Brahma, cuja face múltipla está diante de tudo.

Eu sou a morte que a tudo devora, e sou o gerador de todas as coisas que ainda serão. Entre as mulheres sou a fama, a fortuna, a fala doce, a memória, a inteligência, a confiança e a paciência.

Dos hinos sou o Brhat-sama cantado para o Senhor Indra, e dos poemas sou o Gayatri, recitado diariamente pelos brâmanes. Dos meses sou novembro e dezembro, e das estações sou a primavera florida.

De todos os enganadores eu sou o jogador, e dos esplêndidos sou o esplendor. Eu sou vitória, sou aventura, sou a força do forte.

Dos descendentes de Vrsni sou Vasudeva, e dos Pandavas sou Arjuna. Dos sábios sou Vyasa, e entre os grandes pensadores sou Usana.

Entre os meios de reprimir sou o castigo, e para aqueles que buscam a vitória, sou a moral. Das coisas secretas eu sou o silêncio, e dos sábios sou a sabedoria.

Além do mais, Ó Arjuna, eu sou o a semente geradora de todas as existências. Não há ser - movente ou imóvel - que possa existir sem mim.

Não há fim para minha divina manifestação, Ó grande conquistador. O que disse a você é uma mera indicação de minha infinita opulência.

Saiba que toda beleza, glória e força da criação nasce de uma pequena parte de meu esplendor.

Mas que necessidade há, Arjuna, de todo este conhecimento detalhado? Com um único fragmento de mim eu sustento e abraço o universo inteiro.

Bhagavad-Gita, capítulo 10, versos 19 a 42. Tradução de Swami Prabhupada.

11.11.2009

Adentrismo sonho

Categorias: Adentrismo

Vi as éguas da noite galopando entre as vinhas
E buscando meus sonhos. Eram soberbas, altas.
Algumas tinham manchas azuladas
E o dorso reluzia igual à noite
E as manhã morriam
Debaixo de suas patas encarnadas.

Vi-as sorvendo as uvas que pendiam
E os beiços eram negros e orvalhados.
Uníssonas, resfolegavam.

Vi as éguas da noite entre os escombros
Da paisagem que fui. Vi sombras, elfos e ciladas.
Laços de pedra e palha entre as alfombras
E vasto, um poço engolindo meu nome e meu retrato.

Vi-as tumultuadas. Intensas.
E numa delas, insone, a mim me vi.

Hilda Hilst.

Do diário de sonhos

Categorias: Sonhos

Segunda, 31 de janeiro, 2005

Sonhei com você, há quanto tempo não te vejo! No sonho te beijei na boca, e você tinha gosto de sal.

Domingo, 20 de fevereiro, 2005

Estávamos na sala da casa de minha avó, eu e você, e começamos a nos beijar, e abri os botões da sua blusa e lambi-lhe os seios e tinha um gosto de sal, forte. Você riu, e disse, "vem, me fode". Eu comecei a temer que minha avó fosse entrar na sala, e aquele gosto de sal, sentei-me, sem querer continuar o folguedo. Você sentou a meu lado, abotoando a blusa, dizendo, "seu imprestável". Eu digo que você não se preocupa com meus sentimentos, que me sinto usado. Ela me olha com alegria e desprezo, um sorriso carinhoso e irônico e aquela sua habilidade de levantar uma só sombrancelha.

Quarta, 14 de outubro, 2009

Encontrei você, numa estranha casa familiar, e você me pegou pela mão e me levou para um quarto onde estavam duas amigas suas, uma ruiva e uma negra, que se beijavam, e eu quis deitar com elas e fui beijar a ruiva, tinha gosto de sal.

10.11.2009

Poemas 2009

Categorias: Poesia, Desenhos

Apanhado de poemas meus, 2009. Chamei de Ocirente. Juntei pra fazer um livro. Para ler, clique no desenho.

Também fiz uma seleção de Poemas Acreanos. Aqui.
 

Luciano

Categorias: Estudos, Adentrismo

Não é sem razão que, da obra de Luciano, o que mais impressionou as gerações
posteriores foram os deslocamentos enquanto operadores de ângulos inusitados de visão:
ver a terra do alto, para perceber que as cidades dos homens se assemelham a repúblicas de formigas, em que cada qual corre atarefado para lá e para cá até ser atingido pela morte;
ver o mundo a partir do Hades, fazendo com que os mortos possam falar sobre os vivos,
para revelar como é tolo tudo aquilo a que os homens dão valor; viajar por espaços
fantásticos, a lua, as estrelas, as ilhas dos bem-aventurados e dos condenados, para
descrever modos de vida que põem em xeque o que se considera corriqueiro. Na lua, por
exemplo, ele, Luciano, escrevendo em primeira pessoa, descobre curiosidades inquietantes:
não há mulheres entre os selenitas, que se fecundam mutuamente e procriam pela barriga da
perna, servindo uns, até os vinte e cinco anos, como esposas, para, em seguida, atuarem
como maridos; mais ainda: têm eles órgãos sexuais postiços, sendo que os de uns são de
marfim, e os de outros, os pobres, de pau; seus olhos são desenroscáveis, de modo que,
quando alguém não quer ver, pode guardá-los – e, nesse tira e põe, há os que os perdem e,
então, quando desejam olhar algo, “vêem com olhos que pedem emprestados a outros”. E
assim por diante.

Trecho do ótimo artigo do professor Jacyntho Lins Brandão sobre diversidade cultural, que pode ser baixado daqui.

Vale a pena ler o artigo (uma palestra, na verdade). E sobre Luciano, do prof. Jacyntho, vale a pena ler: Poética do Hipocentauro, que eu estou estudando.

 

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