8.7.2011

sítio

Categorias: Sítio

Lugares bons para começos de história… Xô pensar, a história começa em mil lugares. Esta é uma história de amor entre um filósofo e uma bailarina. Começa em Crotone quando Pitágoras funda sua escola? Começa quando João Ramalho descobre o Brasil? Começa com aquele negão chamado Buda? Começa em Diamantina.

17.6.2011

se serve de poesia

Categorias: Poesia

minha pazo mundo voraz é um sucesso tão grande que faz esvaziar faz murchar em mim meu singelo conceito de paz perguntas mirabolantes e a falta sempre funda me põem sem saber que diabos é, se existe liberdade escravidão por dívidasvelha instituição hoje omnipotente eu acordo dentro de um cubo de tijolos em meio a outros cubos de tijolos dali saio a uma rua asfaltada sujismunda e tomo um ônibus fedido e cheio fico engarrafado entre fumaça e ruídos para trabalhar num serviço maçante e … … … faz falta a todo ser humano o pé descalço na relva água corrente e fria alimentação saudável ar, árvore, e os outros habitantes da terra do jeito que está eu não acordo afim de fazer coisas livre para ser e estar eu acordo atormentado por dívidas será que isto serve de poesia?

Adentrismo Zen

Categorias: Estudos, Poesia, Adentrismo

quantas vidas, quantos nascimentos experimentei sem encontrar o construtor desta casa? agora eu te vejo, ó construtor, todos os caibros estão quebrados, a trave de sua cumeeira, em pedaços. nunca mais precisarás construir uma casa para mim, minha mente ultrapassou o transitório, alcançou a extinção de todos os apegos.

Dhammapada, versos 153, 154. Chamado o Hino da Vitória de Buda.

dois roteiros

Categorias: Sítio

reunião

um local de comunhão, um portal entre mundos, que foi um bosque primitivo, um bosque no tempo do curral d’el rey e é um quintal em bh agora. Primeiro, as comunhões. Depois, as comunhões em fuga, os brancos que cercam, o menino branco que se se perde e acha. Depois, o velho que conta pro menino do presente. Sobre o ser que ali se comunhava.

loja

a loja no centro. o menino das revistas em quadrinho. o menino gato. a velha livreira. as descobertas. os lugares. aprender a amar.

13.6.2011

Histórias de beira do fogo

Categorias: Crônicas, Adentrismo

Papo de antepassados para futuras reflexões.

Trecho de Chronicles of Jerahmeel, tradução de Moses Gaster, no sacred-texts.

Quando Deus quis criar o mundo Ele chamou a companhia dos anjos comandados pelo arcanjo Miguel, e disse-lhes: "Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança." Ao que responderam: "Que é o homem, para que dele Te lembres, e o filho do homem, para que nele penses?" Então Deus imediatamente estendeu seu dedo mindinho entre eles e os destruiu, de forma que Michael foi deixado sozinho. Ele então chamou a companhia dos anjos comandados por Gabriel, e disse: "Façamos o homem à nossa imagem." Eles também responderam: "Que é o homem, para que dele Te lembres?" Deus novamente estendeu o dedo e os destruiu. Em seguida, ele chamou Boël e os seus, e disse-lhes: "Façamos o homem à nossa imagem." Em que Boël disse aos seus companheiros: "Vejam o que aconteceu com aqueles que disseram, que é o homem, para que dele Te lembres? Todos eles foram destruídos. Se repetirmos o que já disseram, Ele fará o mesmo para nós, e no final ele fará Sua vontade. Por isso é melhor que atendamos à Sua vontade." Eles, portanto, imediatamente responderam, dizendo: "Senhor do mundo, é bom que tenhas pensado em criar o homem, cria-o de acordo com a Tua vontade, e vamos atuar como atendentes e agentes sobre ele, e revelar-lhe todos os nossos segredos". Deus então disse a Boël: "A partir deste dia o teu nome, doravante, não deve ser chamado Boël, mas Rafael, porque, através do teu conselho, tu salvou todo o teu exército, para que eles não fossem consumidos, como as outras companhias."

Deus, então, chamando Gabriel, e disse-lhe: “Vá e traga-me a poeira dos quatro cantos da terra, e eu vou criar o homem dela.” Gabriel então passou a recolher a poeira da terra, mas a terra repeliu-o e não quis permitir que ele tomasse a poeira de si. Gabriel então disse: “Por que, ó terra, tu não fazes como ordena a voz do teu Senhor, que fundou-te sobre as águas, sem adereços e sem colunas?” A terra respondeu, dizendo: “Estou destinada a tornar-me uma maldição, e a ser amaldiçoada pelo homem, e se não for o próprio Deus ninguém mais levará a poeira de mim.” Quando Deus viu isto Ele estendeu a mão, tomou do pó, e com o pó criou o primeiro homem no sexto dia. Deus criou o homem em matéria de quatro cores, branco, preto, vermelho e verde. Os ossos e os tendões são brancos, as entranhas preto, vermelho o sangue, a pele do corpo verde (lívida). Quando a alma deixa o corpo, o corpo torna-se imediatamente lívido. A Torá (Lei), então disse a Deus: “Ó Senhor do universo, a vida deste homem que criaste será curta, e ele vai pecar diante de ti. O que acontecerá com ele?” Deus respondeu: “Não é sem propósito que Sou chamado de lento para a ira, de grande misericórdia e verdade! Aquele que retornar a Mim em arrependimento, Eu perdoarei.” A Torá disse: “Se assim for, fazei a Tua vontade.” Mas por que Deus criou o homem a partir dos quatro cantos da terra, e não a partir do pó de um único ponto? “Porque o homem se vai para os quatro cantos da terra, e quando ele morrer, a terra não será capaz de dizer: Tu não foste criado a partir de mim, tu, pois, não pode ser enterrado em mim, vá ao lugar onde foste criado, e lá serás enterrado. Assim, sempre que um homem termina seus dias, ali ele deve descansar. Deus criou o homem pobre e do pó, e ao pó ele deve voltar, pois, o pó foi tomado a partir dos quatro cantos da terra.”

Listas

Categorias: Poesia, Adentrismo

Umberto Eco e as listas.

Há algo de fascinante nas enumerações. Há poesia nas listas, das pragas do Egito, da linhagem de Jesus, das cores, dos seres, dos estilos musicais, das tribos bárbaras, dos feitos do faraó, das kenning irlandesas, das oferendas preferidas dos orixás. Poetas ao longo dos séculos se comprazem fazendo listas.

No Guita, Krishna fala de si.

Jorge Luis Borges: Outro Poema dos Dons

Quero dar graças ao Divino / Labirinto dos efeitos e das causas / Pela diversidade das criaturas / Que formam este singular universo, / Pela razão, que não cessará de sonhar
Com um plano do labirinto, / Pelo rosto de Helena e a perseverança de Ulisses, / Pelo amor que nos deixa ver os outros / Tal como os vê a divindade, / Pelo firme diamante e pela água solta, / Pela álgebra, palácio de precisos cristais, / Pelas místicas moedas de Ângelus Silesius, / Por Schopenhauer, / Que talvez tenha decifrado o universo, / Pelo fulgor do fogo / Que nenhum ser humano pode olhar sem um assombro antigo, / Pela carnaúba, o cedro e o sândalo, / Pelo pão e pelo sal, / Pelo mistério da rosa, / Que prodiga cor e que não a vê, /
Por certas vésperas e dias de 1955, / Pelos rijos tropeiros que na planura / Arreiam os animais e a aurora, / Pelas manhãs de Montevidéu, / Pela arte da amizade, / Pelo último dia de Sócrates, / Pelas palavras que num crepúsculo foram ditas / De uma cruz a outra cruz, /
Por aquele sonho do Islã que abarcou / Mil noites e uma noite, / Por aquele outro sonho do inferno, / Da torre do fogo que purifica / E das estrelas gloriosas, / Por Swedenborg, / Que conversava com os anjos nas ruas de Londres, / Pelos ritos secretos e imemoriais /
Que convergem em mim, / Pelo idioma que, faz séculos, falei na Nortúmbria, /
Pela espada e pela harpa dos saxões, / Pelo mar, que é um deserto resplandecente / E um número de coisas que não sabemos, / Pela música verbal da Inglaterra, / Pela música verbal da Alemanha, / Pelo ouro, que resplende nos versos, / Pelo épico inverno, / Pelo título de um livro que não li: ‘Gesta Dei per Francos’, / Por Verlaine, inocente como os pássaros, / Pelo prisma de cristal e o pêndulo de bronze, / Pelas listras do tigre, / Pelas altas torres de São Francisco e da Ilha de Manhattan, / Pela manhã no Texas, / Por aquele sevilhano que redigiu a Epístola Moral / E cujo nome, como ele teria preferido, ignoramos, / Por Sêneca e Lucano, de Córdoba, / Que antes do espanhol escreveram / Toda a literatura espanhola, / Pelo jogo de xadrez, geométrico e bizarro, / Pela tartaruga de Zenão e o mapa de Royce, / Pelo cheiro medicinal dos eucaliptos, / Pela linguagem, que pode simular a sapiência, / Pelo esquecimento, que anula ou modifica o passado, / Pelo hábito, / Que nos repete e confirma como um espelho, / Pela manhã, que nos depara a ilusão de um começo, / Pela noite, sua treva e sua astronomia, / Pela coragem e a felicidade dos outros, / Pela pátria, percebida nos jasmins / Ou numa espada velha, / Por Whitman e Francisco de Assis, que já escreveram o poema, / Pelo fato de que o poema é inesgotável / E se confunde com a soma das criaturas /
E não chegará jamais ao último verso / E varia como os homens, / Por Frances Haslam, que pediu perdão a seus filhos / Por morrer tão devagar,  / Pelos minutos que precedem o sono, /
Pelo sono e a morte, / Esses dois tesouros ocultos, / Pelos íntimos dons que não enumero, / Pela música, misteriosa forma do tempo.

Tradução de Paulo Mendes Campos.

Outa bela lista é a dos nomes do Diabo no Grande Sertão: Veredas.

E a relação de nomes com os quais Riobaldo se reporta ao Diabo no Grande Sertão: veredas? Vale a pena repeti-la: Aquele, arrenegado, austero, azarape, barbazu, bode-preto, canhim, canho, cão, capeta, capiroto, careca, carocho, carujo, coisa-ruim, coxo, cramulhão, cujo, dado, danado, danador, das-trevas, dê, dêbo, demo, demônio, diá, dião, dos-fins, duba-duba, ele, figura, homem, indivíduo, lúcifer, mafarro, maligno, manfarro, mal-encarado, morcegão, muito sério, o, ocultador, oculto, o-que-nunca-se-ri, outro, pai-do-mal, pai-da-mentira, pé-de-pato, pé-preto, que-diga, que-não-existe, que-não-fala, que-não-ri, rapaz, rei-diabo, satanão, satanás, sem-gracejos, sempre-sério, severo-mor, solto-eu, sujo, temba, tendeiro, tentador, tibes, tinhoso, tismado, tranjão, tristonho, tunes, xu.

(Do Universo e Vocabulário do Grande Sertão, de Nei Leandro de Castro.)

Racionais MC’s:


Queria que Deus ouvisse a minha Voz!!!! (Que Deus
Ouvisse a minha Voz) No mundo mágico de OZ

Jardim Filhos da Terra e tal, Jardim Ebrom, Jáçanã,
Jowa Rural, Piquiri e Mazzei, Nova Galvão,
Jardim Corisco, Fontalis e então, Campo Limpo,
Guarulhos, Jardim Peri, JB, Edu Chaves e Tucuruvi,
Alô Doze, Mimosa e São Rafael, Zachi Narchi tem lugar
no céu, Às vezes eu fico pensando se DEUS
existe mesmo, morô? Porque meu povo já sofreu demais,
e continua sofrendo até hoje!

É recurso muito usado entre os rappers, enumerar as comunidades, também usado entre os sambistas, que enumeram os redutos e as escolas de samba.


Vigário, Caxias, Complexo do Alemão
Complex Complex Co-Complexo do Alemão,

diz um funk que ouvi certa vez. Ou:

Quem é você que não sabe o que diz?
Meu Deus do Céu, que palpite infeliz!
Salve Estácio, Salgueiro, Mangueira,
Oswaldo Cruz e Matriz
Que sempre souberam muito bem
Que a Vila Não quer abafar ninguém,
Só quer mostrar que faz samba também

Noel.

Solano Trindade: Tem gente com fome

Trem sujo da Leopoldina
correndo correndo
pra dizer
tem gente com fome
tem gente com fome
tem gente com fome

Piiiii

estação de Caxias
de novo a dizer
de novo a correr
tem gente com fome
tem gente com fome
tem gente com fome
Vigário Geral
Lucas
Cordovil
Brás de Pina
Penha Circular
Estação da Penha
Olaria
Ramos
Bom Sucesso
Carlos Chagas
Triagem, Mauá
trem sujo da Leopoldina
correndo correndo
parece dizer
tem gente com fome
tem gente com fome
tem gente com fome
Tantas caras tristes
querendo chegar
em algum destino
em algum lugar

Trem sujo da Leopoldina
correndo correndo
parece dizer
tem gente com fome
tem gente com fome
tem gente com fome

Só nas estações
quando vai parando
lentamente começa a dizer
se tem gente com fome
dá de comer
se tem gente com fome
dá de comer
se tem gente com fome
dá de comer
Mas o freio do ar
todo autoritário
manda o trem calar
Psiuuuuuuuuuu

mistérios

Categorias: Estudos

Mistérios. Passagem. Porque o baile? Gregos. Mistérios da aviação.: voar. Mistérios divinos: ?

Línguas. Tradução. Peixe, ave. Deus. iniciação.

Krishna: Abandone todas as religiões e renda-se a mim. Chaytania.

Oralidade.

entheos

Categorias: Estudos

sobre a religião de são tumé

prática, ver, para crer

índios (do brasil e da índia)

dioniso e shiva

Ganja is not only offered to Shiva, but also consumed by Shaivite yogis. Charas is smoked by some Shaivite devotees and cannabis itself is seen as a gift ("prasad," or offering) to Shiva to aid in sadhana.[8

Tentando Traduções de Emily Dickinson

Categorias: Poesia

LOST.

I lost a world the other day.
Has anybody found?
You’ll know it by the row of stars
Around its forehead bound.

A rich man might not notice it;
Yet to my frugal eye
Of more esteem than ducats.
Oh, find it, sir, for me!

PERDIDO.

Outro dia perdi um mundo.
Alguém achou?
É um que traz na testa
um rosário de estrelas. 

Um homem rico pode não notá-lo,
mas, para meus olhos frugais,
vale mais que mil ducados.
Oh, encontre-o, senhor, para mim!

WITH FLOWERS.

South winds jostle them,
Bumblebees come,
Hover, hesitate,
Drink, and are gone.

Butterflies pause
On their passage Cashmere;
I, softly plucking,
Present them here!

COM FLORES.

Ventos do sul atropelam-nas,
Abelhas se aproximam,
Flutuam, hesitam,
Bebem, e se vão.

Borboletas pousam,
De passagem para o Oriente;
Eu, arrancando-as de leve,
Trago-as para a gente!

 

 

6.8.2010

Endereços

Categorias: Tudo

Sítio do Pica-pau Multicolorido: http://sitiodopicapaumulticolorido.wordpress.com/

Desenhos do Pedrinho: http://desenhosdopedrinho.wordpress.com/

Diário de Sonhos:  http://oniricopedro.wordpress.com/

Último Post (Diário de Livros)

Categorias: Estudos, Crônicas, Livros

Hehehe… 

3.8.2010

Despedida

Categorias: Tudo

Bem, este blog está no fim.

Nunca ficou muito claro qual o objetivo dele. Foi uma experimentação, estudos. Uma janela para mim, ou entre eu e vocês, que porventura me leem. Foi muito útil. Eu tenho sido um péssimo artista em termos de divulgação. Quem me conhece sabe que tenho milhares de desenhos pouco vistos, uma faculdade de Belas Artes inacabada, um milhão de ideias para livros, uns três ou cinco livros de poemas já escritos, uns quatro álbuns de música eletrônica gravados (algumas músicas para baixar no estúdio livre, vide endereço no menu “links” ao lado) que nunca serão lançados oficialmente porque ferem leis de direitos autorais a cada segundo de música.

Tudo muito bagunçado e engavetado. Mas agora enfim a coisa tá tomando melhor figura. Tenho grandes amigos artistas com quem estou trabalhando, e tenho turmas para quem dou oficinas, que instigam a trabalhar e me mostram como é importante o contato com o público. Mostram que vale a pena sair do “ainda não estou pronto” para o “ir construindo junto”. E que mesmo eu, sendo assim como eu sou, devo me levar a sério um pouco, em termos de arte.

Então resolvi fazer umas coisas com mais cuidado. Entre elas, criar um espaço para meus desenhos, um espaço só para postar desenhos, já que eu sou desses que desenha em qualquer canto de papel e não cuida muito das coisas.

Vou criar um espaço só para o diário de sonhos, que pretendo que seja legal, porque além de hospedar meus sonhos vai hospedar outras coisas sobre o assunto que muito me interessa.

E criar um sítio literário para tocar pra frente meus mil projetos de textos, dialogando com a história e cultura do Brasil, com a obra do meu avô Manoel Lobato, com a obra do Monteiro Lobato, com mitologia, música, humor, anti-heróis, natureza… minhas manias todas, enfim. Será o Sítio do Pica-pau multicolorido. Certa vez li em algum texto sobre Monteiro Lobato (li muito sobre ele) que ele era um escritor “hiperlink”. Foi num texto sobre ele numa revista de educação, lembrei (sabem que trabalho numa biblioteca?). Foi uma das sementes que formou a ideia de fazer os textos do meu “Sítio”, estranha árvore de muitas sementes.

Agradeço, claro, as lidas, os comentários, os adentrismos. Foi muito divertido descobrir esse mundo dos blogs e o bom mesmo de fazer esse trem foi dar com tudo isso que está na lista de links aí do blog, gênios e mais gênios.

Divulgarei em breve os endereços dos projetos.

No mais, agradecendo a todos, feliz por estar enfim tocando, desenhando, escrevendo no mundo. Valeu Amana, Cris, Felipe Tristão, Pai Lilo, e todos que comentaram e deram uma força. Continuem me lendo nos meus novos endereços! :)
Valeu Teca e André, valeu Juninho, valeu Fabrini, valeu Amilton e Isabela, por acreditarem em mim e serem meus parceiros.


26.7.2010

Educação

Categorias: Crônicas, Adentrismo

Do Andre Egg. Eu tenho o dever de prestar atenção, e quem mais quiser, bem vindo. Pelos nossos filhos.

(O que segue é um trecho do post)

Ou seja, para além da qualidade das escolas e do quanto elas custam, o fator determinante na educação não é a qualidade da escola, mas a qualidade do aluno. Escolas que selecionam os melhores alunos têm o melhor desempenho. Inda mais no Ensino Médio, instância à qual o estudante chega após 8 anos de Ensino Fundamental.

Para ser bom no Ensino Médio ele precisa ter tido um bom Ensino Fundamental, é claro. Mas não só.

Todo mundo que estuda educação sabe que a gente não desenvolve inteligência, conhecimento e cultura na escola. Isso a gente pega em casa. Aliás, é um erro muito fundamental reduzir educação à escola. Escola é responsável apenas por escolarização, que é muito diferente de educação. É um de seus componentes – é claro que muito importante.

Mas tem outros fatores fundamentais. A escolaridade dos pais, se eles podem ter conversas inteligantes com os filhos, se eles acompanham o desempenho escolar de suas crianças (a maioria no Brasil não faz isso). Se o estudante tem bons livros em casa, ou acesso a bibliotecas, cinema, programação de qualidade na TV (a TV aberta no Brasil é muito educativa, como se sabe), museus. Se tem aulas de música e artes, se pratica esportes. Se tem condições afetivas de se desenvolver, se tem condições mínimas de moradia e alimentação.

Como se vê, a questão vai muito além da escola. O problema da educação no Brasil é muito mais amplo – é um problema decorrente de miséria econômica, e miséria cultural. Que não se resolve só com escola, e não se resolve só pelo Estado. É um problema das famílias, da falta de interesse nosso como sociedade em educar melhor nossas crianças – nisso estamos irmanados todos, ricos e pobres. Pergunte a algum professore de escola particular, quantos pais acompanham o desempenho escolar dos filhos, vão a reuniões, lêem relatórios. Os pais querem, em geral, que a escola seja babá dos seus filhos. Não colocam em escola pública não é por causa da qualidade de ensino: é pra não conviver com pobre, pra ter estacionamento pro carro, pra poder pegar o filho mais tarde – essas coisas.

Meu Presidente

Categorias: Crônicas

Ecoo daqui do Buteco do Edu. Lacrimei também. Fiquei cheio de orgulho também.


23.7.2010

Procurando lar

Categorias: Sonhos

Caminho e caminho, acho que estou a procura de alguma coisa, talvez meu lar?

Esta manhã, na vida acordado, tenho um encontro. Talvez no sonho eu estivesse buscando ficar pronto pra isso.

# Primeiro é de manhã cedo e estou ali pelas ruas do bairro Floresta, procuranod um lugar para fazer uma refeição. Escolho um restaurante na rua Salinas (que só existe no sonho), em frente ao sacolão. Há uma mulher que serve as refeições e um homem que deve ser o dono do estabelecimento, que recebe as pessoas na entrada. Ele me convida a entrar. A mulher me pergunto se quero bife de boi ou linguiça. “Linguiça”, digo, “mas pouco, não precisa exagerar na carne”. “Muito bem, parabéns, isso é a coisa certa a fazer”, diz a mulher. A refeição logo está pronta e eu como. Terminei.

# Tomo um ônibus. Ele me deixa num bairro de belas casas e ruas calmas e arborizadas. O bairro faz divisa com uma favela. Eu subo a favela. O que estou buscando? Dou uma das minhas caminhadas de gato, ando pelos muros, esgueiro pelos becos, entro pelas janelas, saio pelos quintais, pulo de telhado a telhado, observo tudo, tantos detalhes. Acho que eu (quem sonha) gosto de criar estes cenários para eu vadiar, feito labirintos - as favelas, que lembram cidades medievais, e os bairros ricos que lembram coisas élficas. Pois bem, caminho e encontro o fim da favela, saio das vielas e becos e estou num mato, num morro. Posso ver a cidade lá embaixo. Estou num lugar de poeira e uns tufos de mato, no limite do urbano e do rural. Caminho até encontrar uma estrada asfaltada e ali tomo outro ônibus.

# O ônibus me leva de volta para a cidade. É um dia muito iluminado e quente. Tem um rádio ligado no ônibus. Enquanto pago a passagem para o cobrador, escuto as horas no rádio: 11:45 da manhã. Não sei se ouvi bem (eu ouvi sim, mas às vezes a gente tem que perguntar as coisas duas vezes, parece que a gente finge que não ouviu, porque será?), pergunto ao cobrador: “Que horas são mesmo?” Parece que ele sabe que eu ouvi porque ao invés de me responder ele ocmeça a falar sobre o tempo e outras coisas, ele me faz umas perguntas mas não me lembro quais. Noto um outro passageiro e percebo então que ele era o rádio que eu havia escutado. Ele era um locutor de rádio, parece.

# Noto que o ônibus saiu da cidade e estamos numa área rural. Eu desço do ônibus. Estou diante do portão de uma fazenda. O locutor de rádio está comigo. Ele parece ter por volta dos 30 anos de idade, não é gordo mas é um pouco redondinho, muito branco e completamente careca. Não há câmeras ou microfones nem nada mas ele continua a paresentar seu show, narrando as coisas que acontecem em volta, fazendo comentários engraçados e inteligentes sobre arte e cultura. Eu acho graça.

# Examino o portão. Penso, “Talvez aqui seja o lugar que procuro. Talvez seja um terreiro de Candomblé. Vou entrar, agir como se eu sempre houvesse vivido ali, embora eu ache que nunca tenha vindo aqui antes”. O portão não está trancado, eu entro. Uma trilha para a direita vai descendo um barranco até que chega numa casa grande. Chego até a beirada do barranco, vejo as roças, os pastos, a casa bonita que domina tudo, cheia de flores coloridas plantadas em volta. Vou até lá. Assim que me ponho a caminhar, um cachorro grandão e marrom vem em minha direção. Sinto umj pouco de susto mas me abaixo e lhe dou a mão. Ele é legal. Cheira e lambe minha mão. Dois outros cães vêm. Um deles é meio desconfiado, mas não ataca. Então noto uma casinha, perto da cerca da propriedade, ainda perto do portão, longe da casa principal. Parece a casa de algum empregado do dono da fazenda. Eu resolvo entrar. Noto que o careca narrador está comigo de novo. A porta se abre e vai dar na cozinha. Tem um homem cozinhando, minha idade. É barbudo, uma barba negra, e é magro. Ele me saúda como se já nos conhecêssemos. Nós três, eu o barbudo e o careca, estávamos como grandes amigos. Sinto-me muito bem ali, naquela casinha simples. Gostaria de viver ali. O barbudo diz, “Ela (a menina com quem tenho um encontro) está vindo aí. Não quer tomar um banho?” “Seria muito bom”, eu digo. Vou pro banheiro, me sinto em casa já. Tomo um banho rápido. Quando termino encontros os dois amigos no quarto, embora o cômodo seja pequeno há uma cama grande e os dois estão sentados nela conversando sobre como será boa aquela noite, é noite de ano novo! Ele dizem que há vinho e boa comida. Agora reconheço Paulo (Purna Chandra) no homem barbudo e o Daniel Farath no careca. Daniel então diz, com sua voz de locutor de rádio: “É isto aí todo mundo, o show acabou. Espero que tenham se divertido”. Disse mais algumas coisas a sua “audiência” e então deu por encerrada sua “transmissão”.

# Ela chega. Cumprimenta-nos e senta-se a meu lado na cama. Logo estamos nos beijando romântico e sensual.

Foi bom achar esta casa. Foi bom beijar essa menina. Queria achar uma vida assim, amorosa e rural.

Anotado 17 de novembro de 2005.

Poesia

Categorias: Poesia

a poesia:

no meu corpo aberto
não sei onde estará
inscrito todo
este delírio

na autopsia do que fui
e o meu valor,
onde estará inscrita
a fantasia?

22.7.2010

crônica

Categorias: Crônicas

Esse blog fez dois anos!

Adentrismo xkcd: War

Categorias: Crônicas, Adentrismo

war on xkcd

Traduzo:

Minha caríssima Cordélia,

já faz muito tempo desde a ultima vez que eu pude mirar seu macio e flexível corpo pela minhas visões telescópicas, e eu temo que você possa ter encontrado um posicionamento melho — BLAM! BLAM! BLAM! - explêndido esforço, amor meu, mas seus tiros acertaram apenas um espantalho, e revelaram seu posicionamento sobre o teto da casa de manutenção. Rogo que esta missiva e a granada encontrem-na com saúde.

A guerra é o inferno.

xkcd.

16.7.2010

Índios, a colorir

Categorias: Desenhos

Estudos: Índia

Categorias: Desenhos

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