9.2.2010

Ói!

Categorias: Poesia, Adentrismo

Amana anda genial. Teve que se exilar e sofrer mas tirou daí uma poeta de prima! Te amo Amana!

então a terra balança cuidado que a terra balança. cardumes que a terra balança cimento que a terra balança sufoco que a terra balança sentido que a terra balança. crianças que a terra balança aceitam que a terra balança. acontece é que a terra balança pobrezas que a terra balança cidades que a terra balançam formigas que a terra balançam balanças que a terra balança. defuntos que a terra balança souberam que a terra balança. rezemos (e a terra balança) à justiça que a terra balança à lembrança que a terra balança à vingança que a terra balança. poeira que a terra balança, sacode que a terra balança. chocalhos que a terra balançam terreiros que a terra balançam macumbas que a terra balançam, balancem, balancem, balancem.

Amana Rodrigues

Ói!

Categorias: Crônicas, Adentrismo

Ói que chique: os ninguéns.

being there

Categorias: Estudos, Cinema

Levado pelo Hermenauta, neste post, fui assistir a “Muito Além do Jardim”, aka “O Videota”, no título original “Being There”, “estando lá”. O filme é do ano que nasci, 1979.
Achei muito bom. Escrevo este post para apontar paralelos, úteis para o estudo de filosofia taoísta que estou perpétuamente empreendendo. Quem se interessar, acompanhe:

Aqui e aqui, dois links sobre o filme, o segundo, do Planeta Educação, contendo uma análise.

Lembra demais A História do Velho Senhor Shang, conto taoísta (de Lieh Tzu) que traduzi do inglês (”Contos de Sentido Interior”, está no “links daqui” no menu do blog aí do lado). Será que o Kosinski, autor do livro (O Videota) e do roteiro do filme leu este conto?
Paralelo bacana também com o conto “A Menina de Lá”, do Guimarães Rosa (do livro “Primeiras Histórias”).

Inocência, ingenuidade, espontaneidade. É por aí.
Um contra-paralelo se faz com o filme Teorema, do Pasolini, em que um anjo aparece do nada na casa de uma família e, transando com cada um, transforma totalmente suas vidas, e se vai assim como chegou. Apenas a empregada parece no fim compreender ou “dar conta” do anjo.
Escreverei mais sobre isto.

Por hora, trecho dos dois filmes.

Being There, a cena incrível em que o Chance sai na rua pela primeira vez, com a versão disco que o Emir Deodato fez para “Assim falou Zaratustra”.


E uma das muitas cenas misteriosas do Teorema.


8.2.2010

epígrafe para uma história de amor

Tinha qualquer coisa de calor, poder e flor.

Guimarães Rosa, As margens da alegria.

Dito!

Categorias: Crônicas, Adentrismo

Tião Nunes, falou e disse. (Clique para ampliar)

 

3.2.2010

Três do Mestre Chuang

Categorias: Adentrismo

Do Chuang Tzu.

Mestre Inspeção Cuidadosa estava treinando um galo de briga para o rei. Após dez dias, o rei quis saber se ele estava pronto.
"Ainda não. Ele ainda é arrogante e confia demais em sua aptidão física."
Mais dez dias e o rei indagou de novo.
"Ainda não. Ele ainda reage excessivamente aos ruídos e movimentos de outros galos".
Mais dez dias, e tornou o rei a perguntar.
"Não. Ele ainda olha ferozmente em torno de si, cheio de brio".
Mais dez dias e o rei tornou a perguntar.
"Está quase. Outro galo pode cantar sem que ele dê sinais de mudança. A virtude dele completou-se. Os outros galos não ousam enfrentá-lo, viram-se e vão embora".

—————-

O artista Ch’ui sabia desenhar tão precisamente quanto um compasso ou régua T, pois seus dedos mudavam com as coisas e ele não deixava que a mente atravessasse no caminho. Portanto, a torre de seu espírito permanecia unida e desobstruída. Tu te esqueces dos teus pés quando os sapatos são confortáveis. Tu te esqueces da tua cintura quando o cinto é confortável. Quando a mente e o coração estão à vontade, não se discute o que é certo e o que é errado. Não há mudança por dentro, não há um seguir do que está fora quando o ajuste aos acontecimentos é confortável. Começas com o que é confortável e jamais experimentas o que é desconfortável, esqueces o que é confortável e este é o supremo conforto.

—————–

Mestre Hui disse a mestre Chuang: "Tuas palavras são inúteis".
Disse mestre Chuang: "O homem tem de entender o inútil antes de falar do útil. A terra, por certo, é vasta e ampla, embora o homem dela não utilize mais do que a área em que põe os pés. Se, todavia, escavasses toda a terra ao redor dos teus pés, até alcançar o mundo subterrâneo, poderia o homem, ainda assim, fazer uso dela?"
"Não, ela seria inútil", disse mestre Hui.
"É óbvio, pois", disse mestre Chuang, "que o inútil tem sua utilidade".

saúde

Categorias: Poesia

é
eu não sei nada
são sempre decepções

conhecer é esquecer

vai sem verdade
o jogo dos símbolos
águia da liberdade
presidente negro

perdi meu posicionamento

era a selva
tão cruel?

afinal saúde
não é atividade física
alimentação de cereais
legumes, verduras
sexo, dança, música?

Das entrevistas de Bundas

Categorias: Desenhos

Luiz Francisco de Souza e Lula:

 

Heloísa Helena e Leonardo Boff:

 

Miúcha e Moisés Ashaninka e esposa:

 


 

 

2.2.2010

Darcy Ribeiro

Categorias: Estudos, Adentrismo

Do Catatau cheguei neste texto do Darcy Ribeiro.

Trecho:

Bem, foi um gozo para mim ser etnólogo e conviver com os índios, foram anos bonitos. Ao sair de São Paulo muitos amigos meus disseram que era um suicídio, que aqui eu estava ganhando bem, podia fazer a vida, ter êxito, e que ir para a mata… Os idiotas não imaginavam, e nem eu sabia ainda, mas aqueles seriam os anos mais bonitos da minha vida, os da convivência com os índios. E hoje não sei nem porque demorei tanto tempo para tomar essa decisão.

Vi muitas coisas notáveis, como, por exemplo, o talento indígena para a solidariedade, para a convivência solidária, amiga. Nunca vi um índio dar um pescoção no outro; você convive durante anos com dezenas de tribos e não vê uma única briga. É um talento que eles têm, que cria um ambiente agradável.

Outra coisa notável, que depois vi teorizada em livros, é uma vontade veemente de perfeição: uma índia faz um cesto, ou um índio faz uma flecha, com muito mais perfeição do que seria necessário para a cesta ou a flecha exercerem sua função. A cesta é o retrato de quem a fez; quem olha a cesta lê caligraficamente que é de fulana, e pela cesta pode ver se é uma mulher relaxada ou criativa.

 Vale a pena ler tudo, e ler, claro, O Povo Brasileiro.

1.2.2010

crônica (fator MST)

Categorias: Crônicas

Só li hoje. Bem dito:

http://brasiliaeuvi.wordpress.com/2010/01/29/o-fator-mst/

a notícia (das prisões em SP): http://www.srb.org.br/modules/news/article.php?storyid=3257

 

estudos, mistérios

Categorias: Estudos, Mistérios

Seria possível sustentar que, no fundo, é inútil procurar textos de mistérios, e isso por razões mais básicas: jamais se descobrirá qualquer biblioteca de Nag Hammadi dos mistérios, porque tal coisa nunca existiu, e sequer houve naufrágio, ao contrário do que imaginava Cumont (Franz Cumont, que disse que a perda dos livros litúrgicos do paganismo foi "o prejuízo mais deplorável entre o grande naufrágio da literatura anitga").

Pois não é verdade que os mistérios eram "indizíveis", arrheta, não apenas no sentido de um segredo artificial utilizado para despertar a curiosidade, mas no sentido de que o essencial e decisivo não era passível de verbalização? Há uma "sympatheia indizível" das almas com os rituais, diz Proclus, e é muito mais antiga a afirmação de Aristóteles de que aqueles que passam pelos mistérios (teloumenoi) deviam não aprender (mathein), mas "ser afetados", "sofrer" ou "vivenciar" (pathein). Tal afirmação, porém, requer alguns esclarecimentos, e acitação de Aristóteles deve ser entendida em seu contexto. Sinésio a utiliza numa tentativa de distinguir, de um lado, o misticismo primitivo dos monges egípcios, que de um só ímpeto passam do momento concreto para a mais elevada exaltação e voltam ao meio miserável que os circunda, e de outro lado o misticismo filosófico, que conduz passo a passo para níveis mais elevados. No grau supremo do misticismo filosófico, termina-se o aprendizado e concede-se a visão pura, qual uma epopteia, aos teloumenoi, mas somente "depois que eles se tornaram adequados para tanto, é claro", como se apressa Sinésio em acrescentar. Nos mistérios, o aprendizado não é negado, sendo antes pressuposto.

De fato, existe  um bom número de testemunhos sobre o "aprendizado" preparatório e a "transmissão" (paradosis) que ocorriam nos mistérios, bem como sobre o "conhecimento" exato ou "completo" que devia ser adquirido. A fala, logos, desempenhava um papel importante, e a obrigação de "não contar" ao não-iniciado era levada tão a sério justamente porque a verbalização era fundamental para os trabalhos. Supunha-se que os mistérios encerravam uma "história sagrada", hieros logos, a qual podia perfeitamente estar contida num livro. É claro que os mystai deviam aprender mais sobre as divindades e seus aspectos, identidades ou detalhes até então ignorados. Crisipo, o estóico, considerava que a essência dos teletai consistia na "transmissão" de um "logos sobre os deuses", isto é, a "teologia".RessonÃncias desse logos já se fazem presentes em Empédocles e Parmênides, bem como no discurso mistagógico de Diotima no Banquete de Platão.

In: BURKERT, Walter. Antigos Cultos de Mistério, pp. 79-81. As notas foram omitidas.

31.1.2010

tiamat

Categorias: Poesia

nasci e meu pai-mãe
(o dragão de cinco cabeças
- tiamat)
quis me matar
- por medo,
hoje sei

eu sou o bem -
o anjo
e lutei, lutei,
miguel -
como nas imagens

o pau quebra
o sangue espirra
o anjo e o dragão

hoje tiamat
está a meus pés,
envelhecida -
e finalmente
me extende a mão
rendendo-se

já eu, com tanta luta,
aprendi também a ser mau -
e caí, cansado
e chorei de dor
e senti raiva

percebi então
a sabedoria do negativo
e do positivo

e tentei ajuntar
o que resta em mim de humano
para quem sabe
mais uma festa,
mais um amor,
mais uma, maestro
mais uma, garçon

29.1.2010

Das entrevistas de Bundas

Categorias: Desenhos

Marília Pêra e Eduardo Suplicy:

 

Benedita da Silva e Chico Anísio:

 

Ruy Guerra e Romário:

 

 

Ciro Gomes e Derci Gonçalves:

 

Das entrevistas de Bundas

Categorias: Desenhos

Quem se lembra da revista Bundas? Meu avô, seo Manoel Lobato, me comprava todos os números assim que saiam. Ele lia e me dava. Tenho todos. Gosto especialmente das entrevistas, e elas me inspiraram, em 2003, uma série de desenhos à pastel oleoso. Desenhos rápidos como é do meu feitio. Estou escaneando-os pois a poeira os come.

José Saramago e Gabriel, o Pensador:

 

28.1.2010

terra vermelha

Categorias: Crônicas, Cinema

Filmaço!


26.1.2010

Sítio do Pica pau Multicolorido

Categorias: Sítio, Música, Adentrismo

Jurema vem trazendo as rosas
Jandira é quem traz o jasmim

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Auê Jussara, dona Jussara, como vai você?

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crônica

Categorias: Crônicas, Adentrismo

Também gostaria de ecoar isto (do blog do noblat):


Crônica

Planos e direitos

Só li do tal Plano Nacional de Direitos Humanos o que saiu, em fragmentos, nos jornais.

Se entendi bem, o que eu duvido, este plano é uma versão revisada de um anterior, que por sua vez era uma revisão de um mais antigo. O que sugere que ou o novo plano altera radicalmente as propostas dos outros ou o escândalo que se faz com ele é indefensável.

Por que o escândalo, e só agora? Pelo que li, não são grandes as diferenças entre o terceiro plano e os dois anteriores, inclusive o que é dos tempos do Fernando Henrique. E não há discrepância entre suas propostas e o que está em discussão, hoje, no resto do mundo civilizado.

Coisas como a descriminalização do aborto e o casamento de gays são debates modernos, mesmo que não impliquem em mudanças imediatas.

A proibição de símbolos religiosos em repartições públicas é consequência lógica do velho preceito da separação de igreja e estado, que não deveria melindrar mais ninguém — pelo menos não neste século.

A ideia de novos anteparos jurídicos para mediar os conflitos de terra é de uma alternativa sensata para a violência de lado a lado. E a obrigação de proteger os direitos e a integridade de qualquer um da prepotência do estado e do excesso policial, alguém é humanamente contra?

O novo plano peca pela linguagem confusa e inadequada, em alguns casos. A preocupação com o monopólio da informação de grandes grupos jornalísticos, e com a qualidade da programação disponível, também é comum em todo o mundo.

Muitos países têm leis e restrições para enfrentar a questão sem que configurem ameaças à liberdade de opinião e de expressão. E sem sugerir o controle de redações e o poder de censura que o tal plano — em passagens que devem ser imediatamente cortadas, e seus autores postos de castigo — parece sugerir.

Sobra a questão militar. Em nenhum fragmento do plano que li se fala em anular a anistia. O direito humano que se quer promover é o do Brasil de saber seu passado, é o direito da Nação à memória que hoje lhe é sonegada.

Só por uma grande falência da razão, por uma irrecuperável crise semântica, se poderia aceitar verdade como sinônimo de revanche.

crônica apelo

Categorias: Crônicas

2010:

Melhorem as condições dos professores. Façamos que a carreira de ensinar e aprender seja muito valiosa, rica, cobiçada.

É o jeito!!

crônica

Categorias: Crônicas

Gostei:

E por que o Brasil se interessa tanto pelo Haiti, perguntou o repórter da CNN  ?

Celso Amorim deu uma resposta que deixará a elite branca, de olhos azuis enfurecida:

O Brasil se interessa pelo Haiti porque o Brasil e o Haiti são muito parecidos.

O candomblé baiano cultiva os mesmos deuses.

A musica é semelhante.

Temos uma grande afinidade com o Haiti, diz Amorim.

Isso é uma vergonha, diria aquele amigo dos garis.

Logo o Haiti, na escala mais baixa …

Paulo Henrique Amorim, neste post.

23.1.2010

epígrafes da flecha do progresso

A terra fria e paciente vira-se para saudar o novo dia, e recebe de bom grado o estímulo de sua quente e generosa estrela. Luz se torna calor e calor se torna atividade. As ruas e mercados tomam vida.

I ching 35: Expansão, segundo Hermética.

Vá e desperte tua sorte!

Provérbio Persa.

A circulação de energia através de um sistema age organizando este sistema.

Harold Morowitz, Fluxo de Energia em Biologia.

É melhor o governo que menos governa.

Thomas Paine (Citado por Thoreau).

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