

Adultos andam de um lado para o outro
pisando meus brinquedos espalhados pelo chão
deuses preocupados com absolutos
chutando displicentes meus detalhes
docemente ajeitados, combinados
amarrei uma fitinha no canto da porta
alguém nem viu, passou e esbarrou
montei um sorriso de pétalas de flores
que varreram sem parar, sem reparar
não faz mal não
tenho o que eles não têm
tenho tempo
suspiro e recomeço a construção
tecendo gravetos que sobraram de uma poda
adultos vêm e vão
ela, linda, passou por aqui um dia
sentou-se comigo, tomou minha mão
entre as suas, macias
adormeci em seu colo, ouvindo suave canção
deixou-me um presente
um boneco de madeira e lã
o boneco de um mago
de uma terra depois do mar,
depois da montanha, depois da areia
depois do islã
continuei pequeno, encontrável nos cantos
em silêncio ou resmungando
tecendo destinos de reinos de invenção
adultos morrendo passam procurando
com pressa aquela donzela que é meu irmão
não digo nada, mas tenho pena
não sabendo procurar, procuram-na em vão
