"Miguel de Santana namorava naquela época Maria Cidreira da Anunciação, cujo nome de santo era Badesque (provavelmente Badeci, devota do vodum Badé) e que, segundo ele, era ‘a segunda pessoa da mãe-de-santo lá do Engenho do Rosário’. Por esse motivo, ele ficou hospedado durante oito dias no Seja Hundé, onde teve oportunidade de confirmar a reputação de Abalhe como devota do Vodum Bessen.
‘Tinha um negócio que eu não sabia o que era, só ouvia o ruído: chiii… chiii… chiii… e nada. Depois é que vim a saber que era a cobra que Abali tomava conta. Mais que coisa, hem? Francamente, fiquei com medo, mas ela disse: Não tenha medo, não tenha susto, pode ficar aqui descansado. Ela criava também umas cobras no rio Caquende, então quando era de manhã levava as carnes cortadas num balaio, e ia ao rio, perto de uns pés de mangabeira apanhava umas folhas, não sei que folhas eram; machucava, passava pelo corpo, se preparava toda e então cheirava e dava baforadas pra dentro da água e chamava as cobras pelo nome. Então elas saíam de dentro da água, botavam a cabeça pra fora. Quando acontecia sair uma que ela não tinha chamado, ela dizia: Não, primeiro essa, você espera. E não é que esperava? Era lá, no célebre Caquende’ "
Depoimento de Miguel Santana em CASTRO, José Guilherme da Cunha (org.). Miguel Santana, pp. 27.
In PARÉS, Luis Nicolau. A Formação do Candomblé, pp. 222.
Foto: Pierre Verger, retratando Maria Epifânia dos Santos, sinhá Abalhe (c. 1950).
"Quem é ateu e viu milagres como eu Sabe que os deuses sem Deus Não cessam de brotar, nem cansam de esperar E o coração que é soberano e que é senhor Não cabe na escravidão, não cabe no seu não Não cabe em si de tanto sim É pura dança e sexo e glória, e paira para além da história"
Milagres do Povo, Caetano Veloso. Daqui, uma delícia de artigo.
Entrei na antiga mansão, assombrada. Assombrada dos Duques e Barões. Assombrada de escravos, de Reis Pretos, de homossexuais feiticeiros, de Tuxáuas bravos. Sonhando com vaginas dentadas.
Vi os Cabiros nos porões fazendo jóias; vi o Comando do Comando Militar. Mortos? Vivos?
Quem já provou as Drogas da Coroa? Ordem e Progresso. Na quinta do sítio do Pica-pau Multicolorido, sábado tem as mesas sob a chefia de Assis Chatôbriã, Caboclo sete-encruzilhadas. Decidem-se os destinos na roda dos bambas…Bambuluá.
Mas é cada Exu! Coronel, coronel, não fode as pretas, coronel…
Estar em sociedade é participar de um crime comum, a religião é participar de um crime comum, um rito que é assassinato, culpa, expiação…
Quando a fantasia é escapismo, e quando ela é expansão?
"Porque diante de um gravatá classicamente moldado em jarro jônico dizer só - amorzinho! - é muito pouco" (Guimarães Rosa)
O caos sagrado da fonte pura das palavras
A glândula sacra e a cócega divina que a anima
2
Oh, lamento… Há quem não, Rosa, há quem não…
Há um mundo que se quer imune à poesia, aos fundamentos loucos da poesia
"Se o senhor doutor está achando boniteza nestes pássaros, eu cá é que não vou dizer que são feios… mas pra mim, seu doutor não leve a mal, pra mim coisa que não presta não pode ter nenhuma beleza…"
Continuando os trabalhos do seminário de cinema, trago aqui um apanhado do material sobre monstros, aristocratas e sociedades secretas. Escrevi num post anterior:
Um capítulo da história é o das lendas horripilantes que cercam sociedades secretas, cultos pagãos, e pessoas da aristocracia. Uma fábula retirada do livro "Fábulas Italianas", de Ítalo Calvino, é um bom exemplo. (Resumir a fábula) A lenda do Barba-Azul é outro. Passando para o Lobisomem. A lenda de Lycaeon. O fundo iniciático destas lendas. O Conde Drácula. Os maçons comedores de criancinhas. Eduardo Jorge e os rituais satânicos em Brasília. O mausoléu do JK.
Primeiro, o resumo da fábula.
"Em Pocapaglia são paspalhões, assoviam os burros, zurram os patrões"
Ítalo Calvino, no seu livro "Fábulas Italianas", conta uma história chamada "A Barba do Conde". Nesta história, o povo de Pocapaglia - um vilarejo tão íngreme que os moradores "penduravam um saquinho no rabo das galinhas" para os ovos não saírem rolando - é aterrorizado por uma bruxa (masca) que rouba o gado e os frutos das plantações, e leva à nocaute os homens com um golpe de vento. "A Masca Macial / Rouba os bois do curral / Olha com o olho torto / E te derruba feito morto".
O herói da cidade, o mais esperto, alistou-se no exército e está nas guerras no estrangeiro, e o povo decide recorrer a um poderoso conde que vivia num castelo na parte mais alta de Pocapaglia. O conde ignora os apelos do povo, os despreza, e entoa: "Sou conde e conto por três / se com a Masca jamais cruzei / garanto que Mascas não existem".
Só resta ao povo chamar seu herói, e ele vem. Conduz uma investigação e descobre que o Conde é a Masca. O povo quer linchá-lo, trucidá-lo, queimá-lo, mas o herói os convence a puni-lo apenas forçando-o a devolver tudo o que roubou, doar tudo que tem e trabalhar para eles. Tudo termina bem e o herói volta a correr mundo em intermináveis guerras.
Agora, traduzo do capítulo "Werewolves around the Tripod Kettle", algo como Lobisomens em torno da vasilha no tripé, do livro "Homo Necans, Antropoly of Greek Sacrificial Ritual and Myth" de Walter Burkert.
A "vasilha no tripé" (tripod kettle) se refere à vasilha onde se cozinham as carnes sacrificadas, que na Grécia antiga repousava costumeiramente sobre um tripé.
As notas foram omitidas.
"Quando as ondas de Povos do Mar e migrações Dóricas destruíram a cultura Micênica, apenas as regiões montanhosas da Arcádia puderam, servindo de refúgio, manter sua individualidade pré-Dórica. Mais tarde, também, a região foi vagarosa em se juntar ao florescimento das culturas urbanas; desenvolveu um centro urbano apenas após 371, na recém-fundada cidade de Megalopolis. Os Arcadianos mesmo estavam tão conscientes da antiguidade de sua raça e costumes como estavam seus vizinhos: muito antes da Era Helenística descobrir a Arcádia pastoril como cenário para suas nostalgias românticas, os Arcadianos eram conhecidos como "comedores de grãos" e "mais velhos que a lua".
Rumores de uma terrível, primitiva atividade cercou especialmente o principal festival Arcadiano para Zeus, celebrado nas montanhas de Lykaion no coração da Arcádia. Haviam histórias de sacrifício humano, canibalismo, e lobisomens. Platão é a primeira fonte que conhecemos que menciona esta como uma história (mythos) corrente "que é contada no santuário de Zeus Lykaio na Arcádia, quer seja, que aquele que prova um pedaço de entranhas humanas misturadas com aquelas de outras vítimas é inevitavelmente transformado num lobo". Platão compara esta sinistra metamorfose com o desenvolvimento de um tirano que, uma vez tendo matado, não pode mais parar. O derramamento de sangue tem suas consequências. O Pseudo-platônico Minos menciona o sacrifício humano no "festival da Lykaia" como fato consumado, e Theophrastus compara o sacrifício "na Lykaia em Arcádia" com os sacrifícios Cartaginenses a Moloch (que diz-se que sacrificavam crianças, N.T.).
Pausanias viu e descreveu o altar de Zeus no cume do Monte Lykaion, mas ele não participou do festival, pois o sacrifício ali acontecia "em segredo". A isto Pausanias acrescenta: "Eu não podia ver nenhum prazer em investigar este sacrifício; deixe-o estar como é e como era desde o princípio". (Segue-se a descrição de Pausanias de outros recintos e templos de culto a Zeus Lykaios). (…)
Mas o que Pausanias piamente ocultou em sua descrição do altar de Zeus, ele mencionou ao relatar a história de Damarchos de Parrhasia, que venceu a competição de pugilismo em Olympia por volta de 400 a.C. É dito que "ele transformou-se num lobo no sacrifício a Zeus Lykaios, e voltou a ser homem passados dez anos". A condição para ser transformado e destransformado é apenas esta: "alguém sempre é transformado num lobo no sacrifício a Zeus Lykaios, mas não por toda a vida; se ele se abstém de comer carne humana enquanto é lobo, dizem que ele retorna a ser homem no décimo ano; mas se ele comê-la, ele permanece um bicho para sempre". Pausanias provavelmente encontrou a lenda de Damarchos num história helenistica local; mas se ela está ligada à vitória em Olympia, ela remete a uma época anterior a Platão.
O mito é encontrado já nos catálogos Hesiódicos e reflete o ritual de modo particularmente transparente. O que era apenas um vago rumor entre os contemporâneos de Platão é contado aqui como o crime de um rei ancestral dos Arcadianos; ele é relacionado com lobos até mesmo em seu nome, Lykaon. Certa vez, os Deuses, incluindo o próprio Zeus, vieram visitá-lo e partilhar com ele uma refeição sacrificial. Mas a refeição sagrada tornou-se em canibalismo, pois Lykaon matou um jovem garoto sobre o altar no cume do monte e derramou seu sangue sobre aquele altar; então ele e seu ajudante "misturaram as entranhas do garoto com a carne sacrificial e trouxeram tudo para a mesa". Claro, seguiu-se a divina punição. Zeus revirou a mesa, graficamente pondo um fim na recém-formada comunidade, e lançou um raio sobre a casa de Lykaon; mais importante, o próprio Lykaon transformou-se num lobo. Em outra versão, frequentemente relatada, o sacrifício grotesco foi seguido de um dilúvio que destruiu a maior parte da raça humana, porém os descendentes de Lykaon, os Arcadianos, sobreviveram para unirem-se no altar de novo e de novo para um sacrifício secreto.
(…) Alguns detalhes curiosos foram reportados por um autor helenístico chamado Euanthes, que foi lido por Varro. Sua preocupação não é com os Arcadianos como um todo mas com uma única família descendendo de Anthos, a quem o autor parece contar como um de seus próprios ancestrais. Um jovem rapaz da família é, de tempos em tempos, sorteado e levado a um lago. Ele tem que tirar suas roupas, pendurá-las num carvalho, e atravessar a nado o lago; dali ele some na natureza e se torna um lobo. Ele deverá viver como um lobo entre lobos por oito anos, passados os quais, se ele se absteve de comer carne humana, ele pode retornar ao lago, atravessá-lo de volta, recuperar suas roupas no carvalho e voltar a ser humano de novo, embora esteja então nove anos mais velho e um homem crescido. (…)
Tanto Pausanias como Plínio consideraram estas histórias de lobisomens como sendo claros exemplos de desavergonhada auto-promoção e da crendice vergonhosa das massas, e quando Platão usa a palavra mythos ele já está expressando um certo ceticismo. Paradoxalmente, o pesquisador moderno não pode assumir a mesma crítica e esclarecida atitude. Não resta dúvida de que lobisomens existiram, tal qual homens leopardos e homens tigres, como clandestinas Männerbund, uma sociedade secreta, oscilando entre possessão demoníaca e brincadeiras viris, como é comum em tais Männerbund. Na Europa, há pelo menos um caso de um "lobisomem" num registro na Livland do século dezesseis. Aqui, a atividade "lobisômica" consistia na maior parte em invadir as despensas dos outros à noite e beber qualquer cerveja encontrada ali. Mais perigosos e talvez mais antigos eram os bandos de homens leopardos na África, que conspiravam para assassinar outros e praticavam canibalismo. Homens leopardos aparecem nos murais de Çatal Hüyük também, e suas roupas lembram aquelas dos centauros e sátiros gregos, aqueles "homens selvagens" que caíam sobre os jarros de vinho como os lobisomens de Livland. O leopardo, um dos maiores felinos e um escalador, era o arqui-inimigo dos primatas. Treinando-se nos hábitos dos lobos, o homem se tornou um caçador e senhor da terra. Poderia ser que estes homens leopardos e lobisomens fossem o resultado direto deste passo? (…)
A metamorfose em lobo, tal como descrita por Euanthes, pode ser facilmente vista como um ritual de iniciação, pois a retirada das roupas e o atravessar do lago são claramente ritos de passagem. (…)"
Em BURKERT, Walter. Homo Necans, pp. 84-89.
Reproduzo este longo texto porque ele toca em muitos pontos chave para o presente estudo. Mostra como por trás de uma lenda cruenta está um ritual de passagem, uma iniciação. Quem quiser dê uma olhada nas Lupercais romanas. Aqui, link em português. Aqui, em inglês.
Agora, os primeiros parágrafos do capítulo "A Integração do Vampiro", do livro "Da Natureza dos Monstros", do prof. Luiz Nazário. Acrescentei alguns links para a wikipedia em inglês.
"O vampiro clássico nasceu do folclore e da decantação de algumas figuras históricas. A primeira delas foi o nobre francês Gilles de Rai que, na França do século XV, violou e torturou cerca de 300 crianças, sendo queimado na fogueira depois de arrepender-se de seus crimes. A segunda, o contemporâneo príncipe Vlad Tepes, líder romeno que combateu os turcos, empalou em massa seus inimigos, impondo a moralidade pública por meio do terror e deliciando-se com pão embebido em sangue. A terceira, a condessa Elizabeth Bathory, que viveu entre os séculos XVI e XVII, filha de altos dignatários da Igreja e esposa do conde Ferenes Nadasbye, e que matou cerca de 650 virgens para banhar-se em seu sangue e, quando adoentada, arrancou a dentadas pedaços do rosto, dos ombros e dos seios de uma jovem, sendo emparedada viva em seu quarto pelo conde Palatino, da Hungria. Finalmente, o marquês de Sade, envolvido, na França do século XVIII, em torturas e assassinatos, na busca de uma sexualidade desenfreada. Esses nobres decadentes ajudaram a compor a fantasia do vampiro, que já aparece plenamente desenvolvida em Varney de Vampire (1847), de Thomas Preskett Pest.
(…)
De fato, como mostraram Raymond McNally e Radu Florescu, em ‘Em Busca de Drácula e Outros Vampiros’, a fascinação da história de Drácula não reside em sua realidade, mas em seu mito que suscitou as mais diversas interpretações. Pode-se fazer uma leitura psicológica ou uma leitura política do vampirismo, segundo a orientação sexual e a ideologia do intérprete. Os vampiros da literatura e do cinema são quase sempre aristocratas, nobres, condes, condessas, marquesas, personagens principescas. Eternizando-se através do sangue alheio, sobrevivendo apenas em função de outras vidas, o vampiro é um parasita que encarna, no imaginário burguês, a classe decadente dos nobres. A fantasia burguesa associa a decadência moral, com sua carga de perversões, à classe que ela derrotou e que se encontra em extinção. Os nobres são "mortos-vivos" que sobrevivem à custa do sangue alheio".
Em NAZÁRIO, Luiz. Da Natureza dos Monstros, pp. 73-74.
Por volta de 2002 eu estive em Rio Claro, SP, cidade de forte presença maçônica. Na época, havia um caso de desaparecimento de crianças. Um mendigo da cidade era o principal suspeito. Mas à boca pequena, entre os amigos, ouvia dizer que na verdade quem roubava as crianças eram os maçons. Eu sabia muito pouco sobre maçonaria, fiquei curioso. Não soube que fim levou o caso.
Em 2007 estive em Brasília, e dei uma volta pela cidade com um amigo que promove festas por lá. E entre histórias escabrosas de políticos, festas com muita droga e putas e tudo o mais, ele comentou de um ritual que o Eduardo Jorge e outros teriam feito numa praça lá, que incluiu o sacrifício de uma criança. Daí partiu para a história do mausoléu do JK, e sua simbologia esotérica. Concluiu: JK era maçom de sei-lá-que alto grau.
São só dois exemplos da imagem que muitos fazem da maçonaria, das histórias que correm sobre a "misteriosa fraternidade", que está em todo lugar mas sempre muito discretamente, por assim dizer…
Mas enfim, o objetivo aqui não é estudar, esclarecer ou compreender a maçonaria. É só tentar entender qual o sentido do Polanski aludir a ela no filme ‘Fearless Vampire Killers’.
Bom, vou continuar postando o material para o seminário "Vampiros Maçonicos do Polanski", mas queria antes só deixar uma nota, aos amigos: não estou tendo um surto psicológico nem mergulhado na morbidez, nem este blog virou um trem fantasma ou a Casa do Espanto. Mas é um perigo estudar uns doidos assim que nem o Polanski!
Então, continuo a falar em monstros mais um pouco mas ficaremos livre disso em breve. Valeu.
Agora, sério, o Monteiro dos Milhões é um personagem fascinante. Pra começar, é brasileiro! Digno de uma pesquisa o cara. Na internet, para saber dele, aqui, na wikipedia em português. É uma delícia ler:
"Herdeiro de uma grande fortuna familiar, multiplicada no Brasil com o comércio de cafés e pedras preciosas".
Outra pérola:
"Carvalho Monteiro era conhecido pela imprensa da época pelo seu carácter, simultaneamente, altruísta e excêntrico, de que é exemplo o famoso Leroy 01, ‘o relógio mais complicado do mundo’".
Aqui, neste ótimo site de pesquisa sobre a maçonaria, o filme está incluso nas “referências obscuras”. Aqui, um exemplo do teor das teorias malucas sobre o assunto.
Um capítulo da história é o das lendas horripilantes que cercam sociedades secretas, cultos pagãos, e pessoas da aristocracia. Uma fábula retirada do livro "Fábulas Italianas", de Ítalo Calvino, é um bom exemplo. (Resumir a fábula) A lenda do Barba-Azul é outro. Passando para o Lobisomem. A lenda de Lycaeon. O fundo iniciático destas lendas. O Conde Drácula. Os maçons comedores de criancinhas. Eduardo Jorge e os rituais satânicos em Brasília. O mausoléu do JK.
Outro capítulo é a obra de Polanski. Como Polanski aborda os temas contemporâneos em seus filmes. Um bom artigo. Site com boas entrevistas. Sobre o Nono portal, a descoberta do fascinante personagem, Monteiro dos Milhões, a que retornarei mais na frente. Ele é o dono do Palácio da Regaleira, onde Polanski filmou. É paranóia ver idéias comunistas e anarquistas discutidas no filme Piratas? Missão: ver todos os filmes do Polanski.
Seriam os Vampiros metáfora para uma aristocracia parasita?
"A alma [no momento da morte] tem a mesma experiência que aqueles que estão sendo iniciados nos grandes mistérios… a princípio a pessoa vagueia e, com tédio, vai de um lado para o outro; anda através da escuridão com desconfiança, como alguém não-iniciado; depois surgem todos os terrores que precedem a iniciação final: temor, apreensão, suor, estupefação; então uma luz maravilhosa envolve a pessoa, ela se vê em regiões e campinas límpidas, é recebida com vozes e danças e a majestade de sons e formas sagrados. Aqui, aquele que completou a iniciação passeia livremente. Liberto e usando sua coroa toma parte na comunhão divina e convive com homens puros e santos, contemplando aqueles que vivem sem terem sido iniciados, uma multidão impura, espezinhada e amontoada na lama e na névoa, que, com medo da morte e desconfiada dos favores divinos permanece em seu sofrimento".
Plutarco, On the Soul, citado por Stobaeus, IV, conforme tradução para o inglês de George E. Mylonas, em seu livro Eleusis and the Eleusinian Mysteries (Princeton: Princeton University Press, 1961), pp. 246-65
In: ELIADE, Mircea. O Conhecimento Sagrado de Todas as Eras, pp. 170. Grifo meu.