19.12.2008

Log na rede

Categorias: Estudos, Crônicas

Log é diário de bordo: você ir anotando os passos da sua pesquisa. Ser humano, um ser em pesquisa, em busca - e que vai anotando.

Meu diário caiu na rede: é peixe. Peixes na rede: cores e fomes.

Peixe, cada um é de um jeito: mil estratégias de ser, que resultam em cores, ondas: tudo para os sentidos. O mar é sem limites.

Mas, na rede, nos unimos: colegas de martírio, colegas de sobrevivência, com suas camuflagens, seus mimetismos, seus habitats singulares, órgãos que emitem luz, que soltam tinta, que provocam sons. Parece que são sós, que cada peixe está encerrado em si, que não se comunicam.

Mas partilham este comum destino de rede, e sabem disso, e mesmo quando se batem e comem ou se fecham firmemente em seus casulos, também se amam, aprendem uns com os outros, e chamam uns aos outros, secretamente, irmãos.

 

Hehe, fiquei em transe e escrevi isso aí agora, por causa do convite do Rafael Coelho para que eu respondesse umas perguntas para os que amam pateticamente os livros (poepateticos, no bom sentido!). Ele mandou para outros blogs e fêz-se uma rede. Pescou altos peixe jóia.

Vai:

1. Livro/Autor(a) que marcou sua infância:

J.R.R. Tolkien, o Senhor dos Anéis. Mas em versão oral. Meu pai era fã e me contava as histórias do livro, descrevia as passagens, ele é desenhista e pintor e desenhava e me mostrava gravuras do Frank Frazeta e aquelas coisas. Foi o "livro sagrado" da minha infância. Só fui lê-lo mesmo com quinze ou dezesseis anos! Devo confessar que o Alquimista influenciou muito meus doze anos. (ix)

2. Livro/Autor(a) que marcou sua adolescência:

O cinema foi muito mais importante que a literatura nessa fase. Li e fui fã de Arnaldo Antunes, Douglas Adams (O Mochileiro das Galáxias), e Hermam Hesse, e Milan Kundera, nos quais era aplicado pela minha querida e esclarecida vó Hebe. Tudo ia bem até o Carlos Castanheda.

3. Autor(a) que mais admira:

Guimarães Rosa, Jorge Luis Borges, Carlos Drummond de Andrade… a briga é por aí. Se for olhar na minha estante como está hoje, predomina o Borges, é o escritor que eu mais compro e coleciono. Colecionei o Italo Calvino também. Aqui também aparecem muito os filósofos taoístas, só que ler filósofo chinês é foda, né? Eu ainda não sei chinês, mas amo Chuang Tzu, já li umas oito traduções, em três línguas. Ainda entendo pouco. Espinosa. E a Grécia Antiga. É esses trem que eu gosto hoje!

Eu colaria um adesivo no meu carro dizendo "eu leio Cecília Meireles". Ela é tipo uma maga, pra mim.

4. Autor(a) contemporâneo: Eduardo Galeano. Neil Gaiman.

5. Leu e não gostou: Eu adoro responder essa pergunta quando é "ouviu e não gostou" pra eu dizer: Rolling Stones! É difícil lembrar o que eu não gosto, eu esqueço. Andei tentando gostar de Murilo Mendes e não consegui. Mas pode ser a hora…

Lembrei de um: Oswald de Andrade. Aliás o modernismo paulista e o concretismo são mais ou menos, pra mim, não fala muito. Quer dizer,  Antropofagia é legal! Gosto assim de algumas idéias e posturas e ações, mas da literatura mesmo deles, médio. Macunaíma é legal! Mas eu daria umas melhoradas…

6. Lê e relê: Filosofia.

7. Manias: Nunca estar satisfeito, sempre querer alguma coisa, sempre num tormento d’alma, sempre buscando um tesouro qualquer. Me misturar a felino.

Eu gosto dos livros mas tenho uma relação estranha com eles. Eu não tenho muito jeito, eu levo eles pra cama, eu estrago eles. Mas eu os amo muito. Acho graça quando as pessoas me acham culto e bacana lendo. Pra mim estou fazendo a coisa mais transgressora, imoral e alucinógena que se poderia fazer. Tem outro jeito de ler, eu sei, mas não me interressa.

Um comentário »

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  1. Pedro,

    Ficou muito bom o post. Seu transe inicial diz tudo… É tudo interação.

    Suas respostas foram BEM sinceras, cito vc falando do Paulo Coelho (nunca li, apesar de talvez ser meu tio. não foi por beletrismo pessoal não, a minha mãe é professora de português…) e a poarte do que não gostou.

    Modernismo paulista? É médio mesmo. O Mário maduro, por assim dizer, reconhece depois que faltou ali “vida”. E isso explica muita coisa. Concreto tem coisas boas. Mas tem muita coisa média também. Eu pessoalmente não gosto do arnaldo texto escrito, prefiro os poemas musicados ou as músicas poemas…

    Um abço em rede!
    =:B

    RAfael Coelho — December 19, 2008 @ 6:02 pm

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