30.3.2009

Coletânea de Epígrafes

"Restavam os ossos, que não emagrecem nunca". Brás Cubas (Machado de Assis)

27.3.2009

Adentrismo muito pessoal

Nomeei-me "Vários Um".

Só depois, achei o poema. Hoje, ele me fala muito, e aqui o adentro.

ESTRAMBOTE MELANCÓLICO

Tenho saudade de mim mesmo,
saudade sob aparência de remorso,
de tanto que não fui, a sós, a esmo,
e de minha alta ausência em meu redor.

Tenho horror, tenho pena de mim mesmo
e tenho muitos outros sentimentos
violentos. Mas se esquivam no inventário,
e meu amor é triste como é vário,
e sendo vário é um só. Tenho carinho
por toda perda minha na corrente
que de mortos a vivos me carreia
e a mortos restitui o que era deles
mas em mim se guardava. A estrela-d’alva
penetra longamente seu espinho

(e cinco espinhos são) na minha mão.

Carlos Drummond de Andrade. 

Pensando também na Amana que escreveu isso que é tão indescritivelmente nosso, nunca tinha antes visto o que é um segredo verdadeiro, que não se revela não porque se não deve mas porque não tem jeito mesmo. 

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