RATIO (Diálogo)
Sempre me pareceu sem sentido o dizer que os animais são irracionais. Minha amiga a gata Sibila sem dúvida é um animal racional. Ela pode ser burra. Eu a julgo burra, em comparação a mim. Por exemplo, quando ela caga no cimento, e fica tentando cavar o nada para enterrar o cocô. Você, observando, diz, que burro, não consegue perceber que o cimento não é terra, não vai cobrir seu cocô. Ela não pensa, diz o senso comum. O gato faz aquilo por instinto. É bizarro o espetáculo de, levado por essas idéias, enxergar um robô estúpido onde está Sibila.
Afinal o que entendemos por razão? Quem classifica o animal (ou o vegetal ou o universo) como sendo irracional entende por razão algo como uma intenção, um julgamento. O homem tem razão porque tem consciência, intenção.
E porque soma dois mais dois.
Razão é medida, proporção. Razão é relação de forças, equilíbrio. Ratio. Se razão é uma beleza, quer dizer, razão é uma harmonia.
Então, dizer que o gato é irracional?
Não é.
Não é! Seus contornos, seus instintos, o uso que ele faz dos sentidos, das formas e potencialidades que ele tem, e como ele se relaciona com seu entorno, isso tudo tem intenção, isso tudo tem muita razão. Existe razão pra tudo ser assim como é.
Por irracional entendemos tudo aquilo que é incapaz de comunicar sua racionalidade para nós.
(risos)
Dado que tudo, olhando-se pelo olhar abrangente do filósofo, é racional, uma vez que em cada partícula e em cada vida e planeta se manifesta a mesma lei das harmonias, das proporções, os jogos de luz e sombra, os choques, os amores… que belos!
Enfim, dado isto que você falou, a visão dos homens de que existe um irracional não passa de uma disfarce para sua ignorância.
Olha, vocês conversam aí. Eu pensei em Sibila como robô, pensei que a diferença é que um robô a gente monta e desmonta, liga e desliga. Ali na Tibilita vai uma vida, e por mais que seu corpo possa parecer com uma máquina, é uma máquina que tem algo que ainda nos escapa, que é a vida.
Há pessoas que não acreditam nisso…
Hum. Sempre me vem à mente o mestre Zênon. A mania dos homens de querer criar novas formas de vida e sua inquietação gera tanto os bens da medicina e das artes quanto as perseguições e as guerras.
Bom de você é que nunca nos deixa chegar a conclusões…
Justamente. Assim o jogo não termina.![]()
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Conta o Véi Chinês, que tava numa feira de informática. Chegou junto de um rapaz que jogava um desses jogos de luta do bem contra o mal. O rapaz de repente vira-se para o monge e diz: “Eu não entendo. Eu sou o bem e ele o mal. Ele é feio e gosmento, eu loiro e transado. No entanto, eu mato ele, ou ele me mata. Os objetivos do bem e do mal são os mesmos: Vencer. Bem, no final, é aquele que vence. Eu só sei matar, matar, dominar. O que eu faço, ó sábio chinês?” “Passa aqui o controle, eu seguro o bem e o mal pra você um pouco enquanto você toma um chá e descansa, tá bem?”
