Desconhecido
Sozinho pede ainda mais coragem -
a bravura é mais bravura, como a caridade é mais caridade,
sem platéia nenhuma.
Com meus poemas
combato o crime na cidade -
e com essa pinta de pacato
Clark Kent -
não me adivinham o Batman.
Sozinho pede ainda mais coragem -
a bravura é mais bravura, como a caridade é mais caridade,
sem platéia nenhuma.
Com meus poemas
combato o crime na cidade -
e com essa pinta de pacato
Clark Kent -
não me adivinham o Batman.
| Troll kalla mik tungl sjötrungnis, auðsug jötuns, élsólar böl, vilsinn völu, vörð náfjarðar, hvélsvelg himins – hvat’s troll nema þat? | They call me Troll; Gnawer of the Moon, Giant of the Gale-blasts, Curse of the rain-hall, Companion of the Sibyl, Nightroaming hag, Swallower of the loaf of heaven. What is a Troll but that? |
Eles me chamam Troll; mastigador da Lua, gigante dos tufões, maldição do salão da chuva, companheiro da Sibila, bruxa do gemido noturno, engolidor do pão celeste. O que mais pode ser um Troll?
Eu posso cantar
Eu ainda canto
Acabei de jogar fora
Tantos quilos de memória
Agora canto
Agora canto
Eu posso cantar
Eu ainda canto
Lambi a árvore da vida,
Vida, vida, oh, querida
Agora canto
Agora canto
Eu posso cantar
Eu ainda canto
Toda a culpa a terra torna
Da floresta vinho entorna
Agora canto
Agora canto
Eu posso cantar
Eu ainda canto
Eu andava tão cansado
Há tantos dias acordado
Agora canto
Agora canto
Vim aqui para cantar
e cantei
não compreendi o que vi,
não atinei
a injustiça a mentira a confusão
e tanto amor perdido, misturado
- não vi sentido nenhum
mas vim cantar e cantei
e tudo isto que não entendi
cantei
e vou cantando rua afora
para além das cordas vocais
para além dos instrumentos musicais
as cantigas do mundo
no mundo ficam
a canção que já vinha
segue
Mais árduo, e por isso mesmo mais apaixonante, foi o trabalho da tradução dos textos religiosos. De maneira nenhuma por causa do uso constante que as Belas Palavras fazem da metáfora: basta saber que, quando o texto fala do "esqueleto da bruma", ele nomeia o cachimbo de barro onde os sábios fumam seu tabaco; que a "flor do arco" designa a flecha; que o nascimento de uma criança se diz "uma palavra se provê de um assento"; o embaraço do tradutor provém mais da dificuldade de dominar o espírito que corre secretamente sob a tranquilidade da palavra, de captar a embriaguez deste espírito que marca com seu selo todo discurso enigmático.
CLASTRES, Pierre. Na introdução de: A Fala Sagrada. Mitos e cantos sagrados dos índios guarani. SP: Papirus, 1990. Pp. 17.
Sonhei que te batia na cara, te dei um tapa, e outro - bem forte - e você tinha vindo tão mansa, deitara na minha cama, elogiara meu velho quarto malarrumado - me doeu, porque eu sei que você viajou o mundo e eu fiquei preso nesse quarto velho.
Você só está sendo piedosa, então eu te bato bem forte, na cara, na face, com raiva.
Mas depois eu te beijo e te pego com tanto desejo contido, os sons frios e secos dos tapas e palavras ruins se transformam num farfalho úmido confuso de sussurros e gemidos, de um velho prazer que espera.
Bati porque amo - e acordo de mais um pesadelo.
Fala do tio Teo acerca do paraíso
(vertida em poema por seu sobrinho-neto)![]()
E se o paraíso existe?
Eu te pergunto: e se lá é mesmo um lugar?
E se, como um rio, for só se abandonar
e depois de despencar das serras,
de enlamear as planícies,
de lamber os seixos,
chegar no mar, no paraíso, naturalmente, inevitavelmente?
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