23.6.2009

Desconhecido

Categorias: Poesia

Sozinho pede ainda mais coragem -
a bravura é mais bravura, como a caridade é mais caridade,
sem platéia nenhuma.

Com meus poemas
combato o crime na cidade -
e com essa pinta de pacato
Clark Kent -
não me adivinham o Batman.

16.6.2009

Troll

Troll kalla mik tungl sjötrungnis, auðsug jötuns, élsólar böl, vilsinn völu, vörð náfjarðar, hvélsvelg himins – hvat’s troll nema þat? They call me Troll; Gnawer of the Moon, Giant of the Gale-blasts, Curse of the rain-hall, Companion of the Sibyl, Nightroaming hag, Swallower of the loaf of heaven. What is a Troll but that?

Eles me chamam Troll; mastigador da Lua, gigante dos tufões, maldição do salão da chuva, companheiro da Sibila, bruxa do gemido noturno, engolidor do pão celeste. O que mais pode ser um Troll?

Cantar II

Categorias: Poesia, Música

Eu posso cantar
Eu ainda canto
Acabei de jogar fora
Tantos quilos de memória
Agora canto
Agora canto

Eu posso cantar
Eu ainda canto
Lambi a árvore da vida,
Vida, vida, oh, querida
Agora canto
Agora canto

Eu posso cantar
Eu ainda canto
Toda a culpa a terra torna
Da floresta vinho entorna
Agora canto
Agora canto

Eu posso cantar
Eu ainda canto
Eu andava tão cansado
Há tantos dias acordado
Agora canto

Agora canto

Cantar I

Categorias: Poesia, Música

Vim aqui para cantar
e cantei
não compreendi o que vi,
não atinei
a injustiça a mentira a confusão
e tanto amor perdido, misturado
- não vi sentido nenhum

mas vim cantar e cantei
e tudo isto que não entendi
cantei
e vou cantando rua afora
para além das cordas vocais
para além dos instrumentos musicais

as cantigas do mundo
no mundo ficam

a canção que já vinha
segue

 

Poema e desenho

Categorias: Poesia, Desenhos

Por que passei por que passei
te reconheci -
sábio musgo

 

 

 

 

 

15.6.2009

Linguagem

Categorias: Estudos

Mais árduo, e por isso mesmo mais apaixonante, foi o trabalho da tradução dos textos religiosos. De maneira nenhuma por causa do uso constante que as Belas Palavras fazem da metáfora: basta saber que, quando o texto fala do "esqueleto da bruma", ele nomeia o cachimbo de barro onde os sábios fumam seu tabaco; que a "flor do arco" designa a flecha; que o nascimento de uma criança se diz "uma palavra se provê de um assento"; o embaraço do tradutor provém mais da dificuldade de dominar o espírito que corre secretamente sob a tranquilidade da palavra, de captar a embriaguez deste espírito que marca com seu selo todo discurso enigmático.

CLASTRES, Pierre. Na introdução de: A Fala Sagrada. Mitos e cantos sagrados dos índios guarani. SP: Papirus, 1990. Pp. 17.

10.6.2009

Peixes

Categorias: Desenhos

Peixes

Categorias: Desenhos

 

 

 

 

 

p

 

 

 

 

 

 

4.6.2009

Sonho

Categorias: Poesia, Crônicas, Sonhos

Sonhei que te batia na cara, te dei um tapa, e outro - bem forte - e você tinha vindo tão mansa, deitara na minha cama, elogiara meu velho quarto malarrumado - me doeu, porque eu sei que você viajou o mundo e eu fiquei preso nesse quarto velho.

Você só está sendo piedosa, então eu te bato bem forte, na cara, na face, com raiva.

Mas depois eu te beijo e te pego com tanto desejo contido, os sons frios e secos dos tapas e palavras ruins se transformam num farfalho úmido confuso de sussurros e gemidos, de um velho prazer que espera.

Bati porque amo - e acordo de mais um pesadelo.

2.6.2009

Jardim

Categorias: Desenhos

 

 

 

 

 

 

 

+

Fala bonita

Fala do tio Teo acerca do paraíso
(vertida em poema por seu sobrinho-neto
)

E se o paraíso existe?
Eu te pergunto: e se lá é mesmo um lugar?
E se, como um rio, for só se abandonar
e depois de despencar das serras,
de enlamear as planícies,
de lamber os seixos,
chegar no mar, no paraíso, naturalmente, inevitavelmente?

 

 

Epígrafe

"… a morte espera, paciente (ela não é nenhuma assassina)". Mario Quintana.

Get free blog up and running in minutes with Blogsome
Theme designed by Jay of onefinejay.com