2.10.2009

Sítio do Pica-pau Multicolorido

Categorias: Sítio

Dr. Monteiro descobriu que no Brasil havia um índio que vomitava gemas. Escravizou-o, e ficou rico. Se eu não fosse tão preguiçoso escrevia um romance sobre isto. O nome do romance: “Cultura e Opulência do Brasil por suas Drogas e Minas”.

Sendo as drogas: tabaco, cauim, oaska, jurema, paricá… sem esquecer do pango, inestimável contribuição africana.

As minas: Juçara, Jurema e Jandira, as trigêmeas que eu quero ter. Uma preta, uma índia, uma branca, sorridentes, seminuas, naturais, com enorme coração.

Faria um lamento da nossa falta de orgulho por nós mesmos. Devíamos assumir mais nosso lado macaco, arara, banana, mamão, caju, nudez, sem lei nem rei nem fé, só a feliz embriaguez alucinógena, a opulência do mato, o sol dos trópicos, o mar caymmico, a cadência do samba…

Viajaria à Grécia para decretar Diógenes de Sínope nosso precursor. E Dioniso nosso Deus.

Diógenes, o cara que andava com uma lanterna na mão em plena luz do dia. “Caçando homens virtuosos”.

Diógenes que, como o Chaves, morava num barril, na rua. E ali, de vez em quando, se masturbava. E quando criticado por se masturbar em público, comentava apenas, "ai, quem me dera pudesse matar a fome apenas esfregando o estômago".

Diógenes que pedia esmolas para uma estátua de um herói, e quando o questionavam, dizia, “a estátua é cega, não me vê, assim aprendo a não esperar nada dos outros e a não depender de ninguém”.

Diógenes, que, quando Alexandre, o Grande, impressionado com a sabedoria e o caráter do filósofo-cão, perguntou "o que posso fazer por ti?", respondeu: “Não me tires o que não me podes dar”. Porque Alexandre estava lhe tapando o sol.

Depois, quando os soldados zombaram do filósofo, Alexandre falou: “Disse Sócrates que o homem mais perto de deus em felicidade é o que carece de menos coisas. Aquele que tem um barril por moradia é o mais próximo do senhor do mundo, e, não fora eu Alexandre, queria ser Diógenes”.

Diógenes, que, segundo a wikipedia, escreveu uma Politeia (República) que

ataca numerosos valores do mundo grego, preconizando, entre outros, a antropofagia, a liberdade sexual total, a indiferença à sepultura, a igualdade entre homens e mulheres, a negação do sagrado, a supressão das armas e da moeda e o repúdio à arrecadação em prol da cidade e de suas leis. Por outro lado, Diógenes considerava o amor como sendo absurdo: não se deve apegar-se a outra pessoa. Por muitas destas razões Diógenes de Sínope é considerado um precursor do Anarquismo no período clássico.

 

 

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