Adentrismos Mestre Oluô Agenor
Dois adentrismos do Oluô Agenor Miranda Rocha, retirados do livro "Um Vento Sagrado", de Muniz Sodré e Luís Filipe de Lima.
Eu não entendo como é que tanta gente hoje em dia se deixa seduzir pelo dinheiro fácil e
passa a cobrar por trabalhos, pelo jogo, por uma orientação qualquer. E cobram uma fortuna, até em dólar! No meu tempo, não havia isso. Aninha e Abedé, por exemplo, nada cobravam. Mas o candomblé foi-se transformando em comércio, até mesmo muita gente séria passou a agir assim. Costumo dizer que o candomblé evoluiu, sim, mas não em seus preceitos. Evoluiu nos figurinos e no hábito de se pedir dinheiro. A religião não pode ser um meio de sustento. Eu trabalhei minha vida inteira, hoje recebo minha aposentadoria e não peço nada a ninguém. E tasmbém nunca cobrei por jogo ou qualquer outro trabalho espiritual. Ora, isto foi um dom que Deus me deu, como é que eu vou cobrar dos que batem à minha porta? Os africanos de meu tempo, assim como os tios e tias nascidos no Brasil, viviam quase todos em grande dificuldade, mas nem por isso faziam de seu sacerdócio um comércio. Na maioria dos casos, dedicavam-se ao comércio ambulante, à estiva.
pp. 84.
Eu entendo o orixá como um vento sagrado. Quem é tomado por ele recebe, como se diz, um
"barravento". Quando o orixá vem, às vezes está manifestado de forma serena - o vento está calmo; às vezes, o orixá começa a tremer, tremer convulsivamente - o vento está mais forte.
Eu não tenho superstição de qualquer tipo. Imagina, não colocar bolsa no chão, não abrir guarda-chuva dentro de casa, não colocar o chapéu em cima da cama… tudo bobagem! O que mais vale é o coração limpo, a mente limpa. O que estiver errado, o santo conserta.
pp. 99.
Axé! Mojubá tio Agenor!
Do rosário dos ifás
Nem zumbi é sabedor
Os segredos do seu povo
Só quem sabe é Oluô
Paulo César Pinheiro, Oluô (samba).
