25.11.2009

Adentrismo Contraste 2 (faz contraste com o 1)

Categorias: Adentrismo

Aviv: "Eu sou comandante de esquadrão de uma companhia que ainda está sob treinamento na Brigada Givati. Fomos a um bairro na parte sul da cidade de Gaza. De forma geral foi uma experiência especial. No decorrer do treinamento, você aguarda o dia em que entrará em Gaza, e no fim, não é realmente como eles dizem que é. É mais como… você vem, entra em uma casa, expulsa os moradores e ocupa ela. Nós permanecemos em um casa por cerca de uma semana.

Perto do fim da operação, houve um plano para entrar em uma área densamente povoada na cidade de Gaza, propriamente dita. Nas reuniões começaram a falar conosco sobre ordens para abrir fogo no interior da cidade, porque, como você sabe, eles usaram muito poder de fogo e mataram um grande número de pessoas pelo caminho, de modo que não fossemos atingidos e eles não atirassem em nós.

Em um primeiro momento, a ação limitava-se a entrar em uma casa. Nós devíamos entrar nelas com um blindado chamado Achzarit (Cruel) para arrebentar as portas dos níveis inferiores e começar a atirar depois… Eu chamo isso de assassinato… esperava-se que subíssemos de andar em andar e atirássemos nas pessoas que encontrássemos. Inicialmente eu me questionei: qual a lógica disto?

Nossos superiores disseram que isso era permissível pois as pessoas que optaram por ficar no setor e dentro de Gaza estava condenadas, terroristas, pois não tinham fugido. Eu não entendo. Por um lado eles não tinham mesmo para onde fugir, por outro nos dizem que, como eles não fugiram, a culpa era deles. Isso também me assustou um pouco. Eu tentei exercer alguma influência, na medida do possível, a partir da minha posição de subordinado, para alterar esta situação. No final, o procedimento passou a ser o de entrar em uma casa, usar megafones dizendo (aos inquilinos): ‘Vamos lá, todos para fora, vocês tem cinco minutos para sair de casa, quem não o fizer será morto.

Eu disse aos nossos soldados ‘As ordens mudaram. Nós vamos entrar na casa, eles têm cinco minutos para sair, verificaremos cada pessoa que sai individualmente para confirmar que estão desarmados, e então iniciamos a checagem andar por andar… Isto significa entrar na casa, abrindo fogo em tudo que se move, atirando granadas, todas essas coisas. Então, houve um momento muito chato. Um dos meus soldados veio a mim e perguntou o por que da mudança. Eu disse, ‘O que não está claro? Não queremos matar civis inocentes’. Ele respondeu, ‘É? Qualquer um que esteja lá dentro é terrorista, todo mundo sabe disso’. Eu disse, ‘Você acha que as pessoas vão realmente fugir? Ninguém vai fugir’. Ele diz, ‘É claro’, e então seus amigos se juntaram a conversa: ‘Temos de matar todos que estejam lá dentro. Sim, qualquer pessoa que esteja em Gaza é terrorista’, e todas as outras coisas que eles meteram na nossa cabeça através da mídia.

Então eu tentei explicar para o cara que nem todo mundo que está lá é terrorista, e que depois que ele mata, digamos, três filhos e quatro mães, vamos subir e matar outras 20 pessoas. E, no fim, se tivermos um prédio de oito andares com cinco apartamentos em cada andar, você terá assassinado de 40 a 50 famílias. Tentei explicar porque nós temos que deixá-los sair e só depois entrarmos em suas casas. Isso não ajudou muito. É frustrante perceber que eles sabem que dentro de Gaza pode-se fazer o que bem entender, arrombar casas por nenhum outro motivo a não ser o prazer de fazer isso.

Você não quer ter a impressão, a partir dos oficiais, de que não existe qualquer lógica para isso, mas eles não dizem nada. Para escrever ‘morte aos árabes’ nas paredes, para cuspir nas fotos de família, apenas porque você pode fazer isso. Penso que esta é a principal questão para compreender o quanto a FDI decaiu no quesito ética. É disso que eu mais vou lembrar.

Um dos nossos oficiais, um comandante de companhia, viu alguém vindo por uma estrada, uma mulher, uma mulher velha. Ela estava caminhando ao longe, mas perto o suficiente, de modo que você poderia mandar alguém até ela. Se ela era suspeita ou não, não sei. No final, ele mandou alguém até o teto para eliminá-la. A partir da descrição desta história, eu senti que se tratava simplesmente de assassinato a sangue frio".

Zamir: "Eu não entendo. Porque ele atirou nela?"

Aviv: "Isso é que é supostamente legal a respeito de Gaza: você vê uma pessoa em uma estrada, caminhando. Ela não tem que estar com uma arma, você não precisa se identificar, você pode, simplesmente, matá-la. Havia uma senhora perto de nós, com quem não vi arma alguma. A ordem era abater esta pessoa assim que a víssemos."

Falas de soldados do exército de Israel. Do blog Escrevinhamentos. Leiam o post na íntegra, revira o estômago, mas…

Escrevinhamentos: Soldados israelenses falam de abusos em Gaza

Um comentário »

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  1. Oi, Pedro!Claro que pode usar e abusar da minha poesia. Que bacana fazer parte deste grupo de oficineiros. Gosto muito disso. Então todos preferem o circo?! :) É preciso mesmo incentivar a garotada a ler e escrever mais e a poesia é sempre um bom começo. Teu blog está lindo!Beijo!Nydia

    Nydia Bonetti — November 27, 2009 @ 5:28 pm

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